DA 5 BLOODS (2020)

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Quando comecei a assistir DA 5 BLOOD, novo petardo de Spike Lee, me veio logo à mente seu filme anterior, aquela maravilha chamada BLACKKKLANSMAN, que termina mostrando imagens reais das cenas lamentáveis em Charlottesville, com aquele bando de lixo humano, também conhecidos como supremacistas brancos, fazendo passeatas, carregando tochas, causando repugnância só de olhar. Spike fez questão de mostrar a tragédia que ocorreu naqueles dias quando um desses nazistas avançou de carro pra cima de um grupo manifestante anti-racista, deixando 28 pessoas feridas e tirando a vida de uma jovem que lutava por igualdade racial…

DA 5 BLOODS meio que começa onde BLACKKKLANSMAN termina, fazendo um apanhado histórico com outra colagem de imagens de arquivo, de ativistas reais em luta anti-racismo, mostrando figuras importantes deste contexto, soldados negros na guerra do Vietnã e, pronto, já pensei comigo “a pedrada vai ser da pesada!”.

São trabalhos bem diferentes como obras estéticas e filmes de gênero, mas ambos possuem a mesma energia, a mesma raiva do racismo sistêmico. É tanta raiva que dá a impressão de que poderia ter sido filmado nas últimas semanas, pós assassinato de George Floyd e tudo o que rolou como consequência, de tanta sintonia com a realidade. É claro que esse racismo sistêmico sempre existiu, e por isso Spike Lee realiza filmes tão diretos, que tocam na ferida. Ainda assim, ele não poderia prever que seu filme seria lançado num momento tão preciso, tão pontual…

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Pra quem não sabe, Spike Lee e o roteirista Kevin Willmott (que havia trabalhado também em BLACKKKLANSMAN), reformularam um roteiro já existente que provavelmente não tinha muito a ver com a carga temática que resultou em DA 5 BLOODS. O roteiro era intitulado THE LAST TOUR e havia sido escrito em 2013 pela dupla Danny Bilson e Paul DeMeo.

Esses caras começaram nos anos 80 com filmecos B cult de ficção científica, como o clássico TRANCERS, de Charles Band, antes de partirem pra coisas mais mainstream, como THE ROCKETEER, de Joe Johnston, para a Disney, e o seriado de TV baseado no personagem de HQ, THE FLASH. Bilson e DeMeo tinham afinidade com cenários de guerra, fizeram ZONE TROOPERS de 1986, que mistura ataque alienígena com combatentes da Segunda Guerra (com Tim Thomerson no elenco), e o spin-off do jogo de video game THE COMPANY OF HEROES, de 2013, um direct to video de guerra com Tom Sizemore e Vinnie Jones.

Ou seja, tudo indica que o roteiro que fornece a base de DA 5 BLOODS era mais voltado para a ação/guerra escapista. A trama, de forma superficial, até deve ter se mantido intacta: Quatro veteranos da guerra do Vietnã retornam ao local nos dias atuais alegando que precisam recuperar os restos mortais de um amigo morto em combate que fora enterrado no campo de batalha. No entanto, há uma segunda razão: recuperar um tesouro, uma caixa de ouro da CIA que eles encontraram de um acidente de avião em 1971 e que também se encontra enterrado no local.

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Este “roteiro base” acabou sendo o último trabalho de DeMeo, falecido em 2018, mas que recebeu um reconhecimento especial nos créditos finais de DA 5 BLOODS. E é bacana essa homenagem porque mesmo com todas as alterações, os realizadores não negam as raízes do filme, essa premissa de filme B da Cannon dos anos 80, e mantém as impressões digitais de Bilson e DeMeo por toda parte. Mas aí entra Spike Lee, com seus personagens, texturas, temas particulares e inquietação política estridente, explorando a experiência do soldado negro no Vietnã, rastreando a fúria do ativismo negro dos anos 60 até o advento da Black Lives Matter e a Era Trump, cuja presença é sentida aqui. Então, obviamente a coisa muda de figura. E esse “a mais” de Spike casa perfeitamente com a urgência que a história transmite.

Então temos aqui quatro veteranos negros, que são Otis (Clarke Peters), Melvin (Isiah Whitlock Jr), Eddie (Norm Lewis) e Paul (Delroy Lindo) os habitantes principais dessa jornada. Mas embora não tenha um protagonista definido, é Paul quem se torna o centro emocional do filme, especialmente pelo desempenho soberbo de Delroy Lindo, que se destaca sobre os demais. E, claro, em se tratando de Spike Lee o personagem acaba tendo nuances bem mais profundas. Paul é uma das figuras mais complexas do cinema de Lee: negro, conservador, apoiador de Trump, paranóico, procurando confrontos em todos os lugares, uma bomba-relógio prestes a explodir antes mesmo de começar a vomitar sobre imigrantes, fake news e “construção do muro”, além de outros termos depreciativos ao povo vietnamita.

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Todos os quatro sujeitos são assombrados pela morte do amigo e líder da unidade, “Stormin ‘Norman” (Chadwick Boseman, que também está perfeito), o tal morto em ação, logo após recuperar e enterrar o ouro. Mas Paul é o único que não conseguiu seguir em frente durante todos esses anos. Isso se estende a seu relacionamento fraturado com seu filho David (Jonathan Majors), que nunca ganhou nada além de escárnio desdenhoso do pai. Apesar de não haver muito afeto entre eles, David aparece inesperadamente em Saigon, preocupado com o pai, e insiste em acompanhar os quatro velhos na jornada.

Através de Tien (Y Lan), uma ex-prostituta que Otis conheceu durante sua primeira passagem no local, eles se encontram com Desroche (Jean Reno), um lavador de dinheiro francês que concorda em converter o ouro pra eles. Com um mapa fornecido pelo guia Vinh (o astro de cinema de ação oriental Johnny Tri Nguyen), os quatro veteranos voltam para as selvas do Vietnã com Paul ostentando um chapéu vermelho “Make America Great Again” para o desdém de todos.

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A jornada começa com um lento passeio de barco acompanhado pela “Cavalgada das Valquírias“, de Wagner, que não é a primeira referência de APOCALYPSE NOW ao longo da narrativa. Um banner gigante do poster do filme de Coppola aparece em destaque na tela em uma boate em Saigon, onde as placas de neon do McDonalds, Pizza Hut e KFC ilustram como as coisas mudaram nos quase 50 anos desde a última vez que lá estiveram. Ao longo da trama há também uma óbvia referência ao O TESOURO DE SIERRA MADRE com o clássico tema da ganância que corrompe a alma diante do Ouro e no final ainda evoca um cenário que remete a Samuel Fuller em CAPACETE DE AÇO. Nos diálogos, os personagens aproveitam para zombar dos filmes de guerra dos anos 80 como RAMBO II e BRADDOCK, com aquele “Walker, Texas Ranger”, como se refere uma das figuras.

E sobre a ação, acho que Spike Lee nunca filmou sequências de batalhas, tiroteios, explosões, de forma tão bem orquestrada… Não assisti ao MILAGRE EM STA. ANNA, filme de guerra que Spike lançou em 2008, então não sei como são as sequências de ação por lá. Mas o único outro filme que pode ser classificado do gênero que o sujeito realizou foi a refilmagem de OLDBOY, que é uma lástima, muito ruim mesmo. Então, por enquanto bato o martelo que em DA 5 BLOODS estão as melhores sequências de ação que o homem já fez.

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Lee também corre alguns riscos com algumas escolhas, como as alternancias do formato das janelas ou como ter os atores Lindo, Peters, Lewis e Whitlock interpretando seus personagens nos flashbacks, sem rejuvenecê-los ou usar outros atores mais jovens. O que causa uma certa confusão no início, mas logo depois me parece funcionar perfeitamente. Já vi muita gente reclamando dessa opção, mas achei interessante como são apresentados em uma espécie de fluxo de consciência, é como rememorar o passado e ver a si mesmo do jeito que é agora, envelhecido, mesmo pensando em eventos que ocorreram há 40, 50 anos… Mas também porque acaba colocando os quatro velhos nas sombras para dar destaque em Boseman, o único personagem que não teve a oportunidade de envelhecer…

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Em alguns momentos DA 5 BLOODS não consegue equilibrar muito bem o material de Bilson/DeMeo com o que foi escrito por Lee e Willmott. E acaba propenso a alguns artifícios difíceis de engolir, como a sequência da descoberta do ouro. E o trio de ativistas que entram em zonas de guerra para encontrar e desarmar minas terrestres poderia ter sido limado do roteiro sem prejudicar praticamente nada na trama (mesmo um dos atores sendo o grande Paul Walter Hauser)… Mas depois de um certo “ponto de virada”, o filme fica mais pesado, mais carregado de ação, violência, o personagem de Lindo vai ficando mais “possuído” e o discurso de Spike cada vez mais ácido. A impressão no fim das contas é a de um filme poderosíssimo, com uma ressonância surpreendente das coisas que estão acontecendo agora. Então qualquer eventual falha fica fácil de ignorar. Ajuda muito também uma trilha sonora só com clássicos de Marvin Gaye…

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Para finalizar, é preciso detacar mais uma vez Lindo, que apresenta o melhor desempenho de sua carreira, absolutamente fascinante (num dos momentos mais intensos do filme, o sujeito faz um monólogo olhando direto pra câmera que é uma cacetada!). Como disse, é um personagem muito complexo. Li em algum lugar que aparentemente Lindo havia pedido a Spike para que seu personagem não fosse trumpista… Eu entendo o ator fazer um pedido desses, “estar na pele” de uma pessoa que apoia o Trump deve ser algo asqueroso, repugnante… Seria o mesmo que pedir pra qualquer ator brasileiro com o mínimo de caráter interpretar um apoiador do Bolsonaro. O cara deve se sentir nojento… Mas é o seu trabalho. Se tem que ser feito, que faça bem feito. E Lindo o faz com perfeição. É justamente o fato de apoiar Trump um dos detalhes que torna o personagem dele tão forte, desprezível mas ao mesmo tempo comovente. A fonte de sua agonia começa no Vietnã e retornar e encarar de perto os seus demônios não é fácil. Mas não esperem uma redenção romântica ao estilo de Hollywood. Ao mesmo tempo que Spike Lee é direto no discurso, ele subverte todas as expectativas. Por isso DA 5 BLOOD é mais uma “pedrada”. O impacto é forte mesmo que o discurso de Spike esgote-se na sua própria militância. Mas no momento em que vivemos, é preciso militar e esgotar esse tipo de discurso, nem que seja à marretada!

O filme tem distribuição da Netflix e desde o dia 12 deste mês tá disponível na grade de lá. Não deixem de ver. E vejam mais Spike Lee. O cara tem MUITO filme foda pra ser visto e revisto.

SCHRADER NO OSCAR

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Os membros da academia não tiveram colhões pra eleger FIRST REFORMED, último trabalho de Paul Schrader, entre os indicados a Melhor Filme. Mas isso já era esperado. Uma pena que Ethan Hawke também não esteja entre os escolhidos na disputa de Melhor Ator. Fará falta. O sujeito entrega aqui uma dos mais fortes desempenhos de sua carreira. Ao menos Schrader concorrerá na categoria Roteiro Original. É difícil, mas ficamos na torcida. Porque FIRST REFORMED merece todo o reconhecimento, seja lá de onde vier, mesmo que todos falem “ah, o Oscar é uma bobagem, é uma premiação feita à base de lobby“. Mas é também o tipo de coisa que define o futuro de um cineasta veterano como Schrader. Receber um prêmio hoje é ganhar fôlego (e financiamento) para um próximo filme.

E isso vale também para o Spike Lee, que está na jogada com o seu sensacional BLACKKKLANSMAN. Esse sim, concorrendo à vários dos prêmios principais, incluindo Melhor Filme e Diretor.

FIRST REFORMED e BLACKKKLANSMAN, os dois maiores filmes do ano passado, já têm minha torcida no Oscar 2019.

FAÇA A COISA CERTA (Do the Right Thing, 1989)

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No meu último post, a lista dos meus filmes favoritos da década passada, o filme da quarta posição é do Spike Lee, A ÚLTIMA NOITE, com Edward Norton. Se eu tivesse feito essa lista há alguns meses, eu nunca teria colocado este filme aí, numa posição tão privilegiada… A verdade é que eu nunca dei muita bola para o Spike ao longo dos anos. Sem nenhum motivo específico, apenas não parava pra ver os seus filmes mais essenciais… Já tinha visto um ou outro, dos mais atuais, que achava entre bons e razoáveis (INSIDE MAN, ELAS ME ODEIAM, MAS ME QUEREM) ou pura bobagens (OLDBOY). Este ano, eu resolvi dar uma chance pro cara e, obviamente, minha relação com o cinema de Spike Lee mudou drasticamente.

Há poucos meses eu vi pela primeira vez MALCOLM X, FEBRE DA SELVA, MAIS E MELHORES BLUES, CLOCKERS, HE GOT GAME, etc, tudo uma maravilha! Revi O VERÃO DE SAM e A ÚLTIMA NOITE, este último não tinha gostado na época, mas no contexto atual já achei uma obra-prima do caralho, e por isso coloquei como um dos melhores filmes da década passada… Teve ainda seu novo trabalho, BLACKkKLANSMAN, que é sensacional. E obviamente, revi o que deve ser a sua obra-prima, FAÇA A COISA CERTA.

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Esse eu sempre achei um grande filme, mas faziam uns quinze anos que não o via e acabei tendo a oportunidade de rever na tela grande. O lance é que eu comecei a ver os filmes do Spike sem ter a mínima ideia de que pouco depois o CCBB iria fazer uma mostra com o cinema do cara. Portanto, neste momento, acontece no CCBB em São Paulo, e acho que no Rio também, a mostra “Acorde! O cinema de Spike Lee“, um evento mais que obrigatório. Como tive que viajar a Vitória-ES no último feriadão, o único filme que vi até agora foi justamente FAÇA A COISA CERTA ainda nos primeiros dias. Retornei esta semana à minha rotina paulistana e agora vou correr atrás do prejuízo…

Sobre o FAÇA A COISA CERTA, é um filme que até hoje mantém força na sua análise certeira sobre as tensões raciais. A ação se passa no coração do Brooklyn, em Nova York, povoada por uma galeria de personagens racialmente diversificada tentando levar a vida em um dos dias mais quentes do ano, como anuncia o DJ local no rádio, interpretado pelo grande Samuel L. Jackson. A câmera de Spike nunca se aventura além dos limites estabelecidos do bairro, e qualquer elemento que adentre o território vindo de fora é visto com desconfiança. Isso inclui Sal (Danny Aiello) e seus dois filhos, ítalo-americanos que possuem uma pizzaria no local. Sal está ali há vinte anos e foi aceito como parte do bairro. Mas as tensões raciais estão fervilhando, à espreita, esperando a chance de deflagrar.

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FAÇA A COISA CERTA é principalmente focado em Mookie (encarnado pelo próprio Spike Lee), um jovem negro que trabalha na pizzaria de Sal como entregador e é o personagem chave, por habitar em ambos os mundos. Ele é do bairro, mas trabalha para Sal. Isso não é lá um grande problema, mas aos poucos, à medida que o dia avança, os pequenos debates se intensificam, as pessoas sentem o calor do dia, e ficam mais incomodadas e intolerantes umas com as outras.

Buggin Out (Giancarlo Esposito) reclama que a parede de Sal, cheia de fotos de personalidades e famosos, não inclui nenhuma pessoa negra e promete um boicote. Isso cria um certo nível mínimo de tensão, é um começo. Em outro momento, Sal fica irritado com a Radio Raheem (Bill Nunn), que chama a atenção para si em todos os lugares que passa, com seu ultra potente rádio toca-fitas, que entoa o icônico refrão do Public Enemy, FIGHT THE POWER! O filho de Sal, Pino (John Turturro), é incapaz de manter seu racismo guardado e respinga ódio pra todos os lados; até Mookie entra na dança quando percebe que Sal está, aparentemente, dando em cima de sua irmã, Jade (Joie Lee). E por aí vai…

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Vários outros pequenos estopins contribuem para um ambiente onde, dado o estímulo certo, pode ocorrer uma violenta explosão. Quando o caos se instaura, brilha o talento de Spike Lee, num dos momentos mais fortes do seu cinema. O ato final de FAÇA A COISA CERTA é um dos mais impressionantes que eu já vi. No início do filme é até difícil imaginar que o bairro está prestes a ruir, porque todos parecem se dar razoavelmente bem. E, no entanto, por mais assustador que seja o ato final, tudo evolui de forma natural a partir dos pequenos choques que vão acontecendo gradativamente nos primeiros atos, se intensificando cada vez mais. E é o que faz o roteiro de Spike algo tão magistral, a maneira como ele constrói seu filme num crescendo até de fato detonar a dinamite. E é principalmente, também, pela ambiguidade moral de Spike em não escolher lados. Em FAÇA A COISA CERTA, o ressentimento racial é profundo e inerente ao ser humano. A “mensagem” que martela no fim das contas é “faça a coisa certa“. E colocar essa lição em prática nem sempre é fácil. O filme é cheio de personagens que não conseguem “fazer a coisa certa”, e o resultado é violência, caos e morte.

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Vale lembrar que quando Spike Lee surgiu em meados dos anos 80, não havia nenhum diretor negro em solo americano recebendo grandes atenções. Não estou dizendo que não haviam diretores negros, obviamente, e Charles Burnett, à frente de todos, estava aí para provar, já era um mestre do cinema independente. Mas foi Spike Lee que a mídia nomeou o grande porta-voz do Black Cinema americano. Até porque o discurso sobre questões raciais de Spike é trabalhado de uma forma muito frontal, sem ambiguidades. O que é um problema para a grande maioria dos diretores que não possuem sutilezas em tratar de certos temas, fazendo cinema panfletário da pior espécie. Mas Spike é uma exceção. Com um discurso direto e sem frescuras combinados numa estética radical, inovadora e autoral, a porrada atinge em cheio no espectador e não é muito difícil perceber o fascínio que seu cinema causa.

Portanto, fica a dica para quem mora no Rio ou São Paulo. Ainda dá tempo de conferir a programação da Mostra “Acorde! O Cinema de Spike Lee” e comparecer nas sessões para assistir a alguns filmaços do homem na tela do CCBB.

“INFILTRATE HATE”

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Sem palavras para descrever BLACKKKLANSMAN, a nova pedrada de Spike Lee. Um dos melhores filmes do ano e que acabei assistindo em boa hora, às vésperas de uma eleição na qual, por escolha da maioria, provavelmente será coroada a disseminação do ódio, do preconceito e da ignorância transvestida de patriotismo, moral e bons costumes. É um filme muito simbólico para este momento. O que me resta é a consciência limpa e saber que lá na frente eu estava do lado certo da história. Não tenho dúvidas disso.