BLOOD FOR DRACULA (1974)

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O multi-artista visual Andy Warhol é mais conhecido pelos quadros das latas de sopa Campbell’s e de outros trabalhos que se tornaram ícones do movimento Pop Art. Mas muita gente esquece que o sujeito investiu boa parte de sua carreira artística como diretor e produtor de cinema. Claro, os filmes que dirigia eram obras conceituais e experimentais, algumas realmente realizadas para serem exibidas em galerias de arte, como SLEEP, por exemplo, que tem umas cinco horas de duração e que mostra um homem dormindo e nada mais.

No entanto, como produtor Warhol associou-se ao talento de alguns diretores que estavam na onda do cinema underground, em especial um sujeito chamado Paul Morrissey, que foi responsável por criar, junto com Warhol, uma boa safra de filmes da contracultura americana dos anos 70, como a trilogia TRASH, FLESH e HEAT. Mas uma das coisas que mais gosto dessa parceria são as releituras bizarras de clássicos do horror, de histórias protagonizadas por monstros ícones. São duas belezinhas que valem a pena conhecer: FLESH FOR FRANKENSTEIN e o meu filme favorito de Drácula, BLOOD FOR DRACULA, que revi agora no início do ano.

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BLOOD FOR DRACULA é uma variação bem atípica da criação de Bram Stoker. O filme inicia na Romênia por volta de 1920 com Udo Kier vivendo um Conde Drácula exótico, moribundo, fraco e necessitado de sangue de virgens, já que não consegue arranjar mais moças puras para chupar o cangote. É, então, convencido pelo seu criado, Anton, encarnado pelo esquisito Arno Juerging, para ir à Itália, país religioso que preza pelo cabaço de suas filhas, onde, teoricamente, seria mais fácil de arranjar o “alimento”, bem diferente da Romênia, onde a virgindade é escassa e Dracula já está visado como perigo para jovens distraídas. Continuar lendo

O ESCRITOR FANTASMA (2010)

Vi este novo trabalho do Polanski, O ESCRITOR FANTASMA (The Ghost Writer), um thriller político sobre um escritor (Ewan McGregor) que recebe uma oferta lucrativa para concluir a autobiografia – como Ghost Writer – do ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Adam Lang (Pierce Brosnan), que agora vive numa ilha nos Estados Unidos, rodeado de poucas pessoas e passando por sérias acusações políticas.

O problema é que o tal escritor foi contratado para substituir um outro autor que morreu de forma suspeita enquanto trabalhava nos mesmos escritos. E à medida em que vai descobrindo os podres do ex-primeiro ministro, mais o escritor percebe que está se envolvendo numa trama perigosa e que pessoas poderosas querem enterrar e esquecer certas verdades.

É uma trama simples, mas que Polanski dirige com precisão, dá um ritmo excelente: lento, reflexivo, sem muita pressa, mas com momentos de tensão realmente de roer as unhas. Todo o filme se baseia em climas e na construção atmosférica de puro suspense. Sim, o filme é anacrônico, mas para quem está de saco cheio das mesmas fórmulas de como se faz suspense atualmente, O ESCRITOR FANTASMA é um deleite.

E, bom, estamos falando de uma das maiores autoridades no assunto. REPULSA AO SEXO, O BEBÊ DE ROSEMARY, BUSCA FRENÉTICA e O INQUILINO são apenas alguns exemplos que provam a genialidade de Polanski na condução do suspense/horror de maneira correta.

E como se não bastasse filmar um thriller com maestria arrepiante, Polanski faz em O ESCRITOR FANTASMA alguns dos mais belos planos que vi recentemente numa sala de cinema. Ajuda muito o cenário peculiar que a trama se passa.

No campo das atuações, McGregor, ator sóbrio, cumpre muito bem suas responsabilidades como protagonista. Mas todo o elenco é um destaque. Tom Wilkinson está sinistro em sua participação, temos Eli Wallach e James Belushi apontando rapidamente e Pierce Brosnan, que surpreende num de seus melhores desepenhos. Kim Cattrall e Olivia Williams completam o time no lado feminino.

O ESCRITOR FANTASMA é o melhor Polanski em muitos anos. E isso quer dizer muita coisa. Se qualquer um da grande maioria dos diretores da atualidade fizesse um filme baseado nesse roteiro, seria um thriller genericão, mas por causa da criatividade e senso de arte de Polanski, o que temos é uma joia.

Curioso que o filme me lembrou outro trabalho do homem, O ÚLTIMO PORTAL, o qual foi bastante maltratado na época do lançamento, apesar de ser muito bom também. Preciso rever. Este aqui vem recebendo elogios da “crítica séria”, mas nada que realmente apresente a importância que o filme merece.