O FILHO DE DRÁCULA (1943)

O FILHO DE DRÁCULA (Son of Dracula), é o terceiro filme da Universal que carrega o nome “Drácula” no título. E sabiamente afasta-se tanto quanto possível dos cenários e enredo do romance original de Stoker. Da mesma forma que o segundo, que comentei aqui recentemente, A FILHA DE DRÁCULA. Havia essa preocupação dos realizadores em não “recauchutar” os filmes originais, que tinham sido sucessos, e se arriscavam em fazer algo diferente.

Uma das principais mudanças deste aqui é o cenário, que foge do visual gótico e sombrio europeu e transcorre na região pantanosa do sul dos EUA num período “contemporâneo”.

Kay Caldwell (Louise Allbritton) é a herdeira excêntrica de um rico coronel, cujo entusiasmo pelo ocultismo chama a atenção de todos à sua volta. Sua família a considera estranha, mas isso não impede que seu jovem vizinho, Frank (Robert Paige), se apaixone perdidamente por ela. Sua extravagância atual é a telepatia, pois acredita que está em contato com um misterioso aristocrata do Leste Europeu e que o está chamando. E, de fato, é exatamente isso que está acontecendo.

A bagagem de seu misterioso nobre, um húngaro chamado Conde Alucard (Lon Chaney Jr), chega de trem. Inclui várias caixas grandes, mas não há sinal de seu dono. Rola até uma festa de boas-vindas na mansão Caldwell sem o hóspede, mas Kay está convencida de que ele chegará naquela noite. Só que coisas estranhas e trágicas começam a acontecer… A noite cai e um incêndio inexplicável irrompe no quarto do patriarca da família, cujo cadáver é então descoberto. Parece que foi vítima de um ataque cardíaco, embora alguém diga que parece que morreu de susto. Pouco depois, o conde húngaro chega à porta da mansão.

O médico de família, Dr. Brewster (Frank Craven), desconfia do recém-chegado desde o início, e suas suspeitas aumentam quando ele conversa com o professor Lazlo na embaixada da Hungria em Washington, que nunca ouviu falar de conde Alucard, mas ambos notam que Alucard escrito ao contrário é Drácula. E a partir daí o filme vira uma sucessão de situações de horror, uma corrida contra o tempo para se livrar do mal que paira sobre a região ao melhor estilo do Ciclo de Monstros da Universal.

E uma das coisas mais legais de O FILHO DE DRÁCULA é que os personagens não levam muito tempo pra descobrir que algo sobrenatural está acontecendo, todos parecem muito familiarizados com o mito de Drácula e rapidamente percebem o tipo de ameaça que estão lidando.

O grande Lon Chaney, o homem das mil faces, não teve a oportunidade de viver o Conde Drácula, embora fosse a primeira escolha da Universal ainda para o primeiro filme, mas morreu antes das filmagens iniciarem e acabou substituido por Bela Lugosi. Então é legal ver que seu filho, Lon Chaney Jr, teve a chance em O FILHO DO DRÁCULA, num papel não tão icônico quanto o Drácula original de Lugosi, mas com uma atuação bem digna e nada convencional que dá ao personagem um tom de ameaça bem expressiva.

Parece que dividiu as opiniões em relação à sua interpretação por aqui. Eu achei ótimo, um de seus melhores desempenhos no Ciclo de Monstros. Lembrando que o sujeito também já foi o Monstro de Frankenstein em O FANTASMA DE FRANKENSTEIN, mas seu papel mais famoso foi em O LOBISOMEM, onde faz o personagem título e que continuou fazendo numa série de outros filmes. Por aqui, como Drácula, tem muita presença física e seu olhar penetrante realmente está assustador, transmite uma crueldade e um desprezo pela humanidade que possivelmente nem mesmo o Lugosi expressava.

Louise Allbritton como Kay está fantástica, refletindo perfeitamente suas preocupações “mórbidas”. Sua imagem não fica tão marcada pelo erotismo perturbador que Gloria Holden em A FILHA DE DRÁCULA, mas Kay é uma das personagens mais fascinantes da série, que se revela uma figura ainda mais perversa e perturbadora do que o vilão ostensivo de Drácula. Você quase sente pena do pobre Alucard por se envolver com ela… E mais pena ainda pelo pobre Frank, que vive o drama mais interessante do filme. O fato de O FILHO DE DRÁCULA ser focado em uma personagem feminina tão forte, o torna quase um filme noir, com Kay numa espécie de femme fatale da parada.

Por falar em film noir, a direção é do grande Robert Siodmak, justamente conhecido pelos belos exemplares do gênero que tem em sua filmografia, como a primeira versão de OS ASSASSINOS, com Burt Lancaster. Siodmak dá a’O FILHO DE DRÁCULA algumas das imagens mais impressionantes de qualquer filme de terror daquela época – cenas como o conde surgindo no pântano, o uso da névoa como efeito das variadas metamorfoses do vampiro e o morcego na cela em que Frank está preso são bons exemplos de composições de arrepiar.

Siodmak faz uma mistura interessante de estilos, com sequências centradas nos dois doutores “caçadores de vampiros”, Dr. Brewster e Lazlo, sendo filmadas principalmente à luz do dia, enquanto as cenas centradas em Kay, o Conde, e especialmente Frank, são noturnas, filmadas num estilo expressionista. Enfatiza o contraste entre a realidade cotidiana e o mundo de pesadelo dos vampiros. Para um filme que coloca um vampiro no mundo dos anos 1940, é uma boa sacada.

Pena que foi o único filme do gênero, horror puro, que Siodmak realizou. O FILHO DE DRÁCULA foi uma bela descoberta, talvez eu tenha gostado ainda mais que o anterior, A FILHA DE DRÁCULA, embora o primeiro continue imbatível.

A partir daqui, o personagem começaria a aparecer no Ciclo de Monstros em produções que faziam crossover entre as figuras que habitam os universos desses monstros clássicos, especialmente com Lobisomem e o Monstro de Frankenstein, como em A CASA DE FRANKENSTEIN e A CASA DE DRÁCULA, que já foram assuntos aqui no blog. Falta comentar alguma coisa ainda sobre ABBOTT & COSTELLO CONTRA FRANKENSTEIN, mais uma dessas misturas malucas, agora numa comédia, mas que marcou como a última aparição de Bela Lugosi como Drácula.

★ ★ ★

A CASA DO DRÁCULA (1945)

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Mais um adendo à peregrinação dos filmes de Frankenstein da Universal que tenho feito aqui no blog. Depois de A CASA DE FRANKENSTEIN, o monstro retorna agora, ainda que minimamente, em A CASA DO DRÁCULA (House of Dracula).

Descrever a trama deste aqui é um exercício praticamente inútil, especialmente se você tem acompanhado as postagens recentes sobre o tema… A fórmula é basicamente a mesma dos últimos filmes, os personagens também são exatamente os mesmos – Drácula, monstro de Frankenstein, Talbott/Lobisomem – os mesmos temas… E existe ainda o risco de começarmos a procurar coisas que façam sentido nessas bagunças que misturam monstros, mas será tudo em vão. De qualquer maneira, vamos lá…

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O personagem que vai conduzir o fio desta vez, em A CASA DO DRÁCULA, é o Dr. Franz Edelmann (Onslow Stevens), um médico idealista, especializado, aparentemente, no tratamento de monstros, já que sua sala de espera está cheia de vampiros, lobisomens e o Monstro de Frankenstein… Na verdade, a trama começa quando o Conde Drácula (John Carradine) aparece. Ao que tudo indica, o vampirão está entediado com a vida eterna e quer se tornar um humano normal. E o Dr. Edelmann tem um tratamento revolucionário para isso, que envolve transfusão de sangue e algo a ver com glândulas, cirurgia craniana e, bom, não vale a pena se apegar nesses detalhes…

Larry Talbott, o Lobisomem, novamente encarnado por Lon Chaney Jr., também aparece por aqui com seu eterno desejo de morrer. Como as coisas não correm bem, o sujeito tenta tirar a vida se jogando de um penhasco. Felizmente, há uma caverna subterrânea na qual Larry acaba indo parar. O médico o resgata, e quem eles encontram soterrado no local? Claro… O Monstro de Frankenstein. Eu sei que isso vai ser difícil de acreditar, mas a partir daqui o enredo consegue ficar ainda mais bizarro. Cenas de transfusões de sangue com o Drácula, tentativas de reviver o monstro de Frankenstein, assassinatos misteriosos e, claro, a multidão de aldeões portadores de tocha empenhados em destruir tudo. Como vimos em todos os filmes anteriores…

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Lon Chaney Jr. repetindo a mesma performance como Larry Talbott/Lobisomem já deu, né? O sujeito até tenta dar alguma dignidade à sua atuação, mas é uma causa perdida a essa altura. John Carradine prova ser o Drácula mais chato da história. As únicas duas atuações que merecem destaque são a de Onslow Stevens como Dr. Edelmann, com uma pegada meio “O Médico e o Monstro”, e Jane Adams, que faz a enfermeira assistente do doutor e que, para não perder o costume, é corcunda.

De resto, não há uma construção muito boa de suspense ou mistério. Na verdade, a impressão que dá é de desespero da Universal em manter sua audiência interessada em filmes de monstro, realizando qualquer porcaria pra ver se dava certo… E olha que eles nem tinham feito ainda ABBOTT E COSTELLO CONTRA FRANKENSTEIN. Mas apesar da bobagem, eu até gosto deste, me divirto com a dupla de comediantes se metendo em confusão com os ícones do horror. Já A CASA DO DRÁCULA, é só um desperdício de celuloide…

A CASA DE FRANKENSTEIN (1944)

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A CASA DE FRANKENSTEIN (House of Frankenstein), lançado um ano depois de FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM, foi um dos infames (mas comercialmente bem-sucedido) filmes de crossover de monstros da Universal. Aqui temos Drácula, Lobisomem e o Monstro de Frankenstein, embora talvez curiosamente seus papéis não sejam realmente centrais. Não é lá um filme muito bom, mas tem seus momentos e é estranhamente agradável de se assistir. Até porque possui uma variedade formidável de ícones do horror do período em seu elenco: Boris Karloff retornando à serie, John Carradine, Lon Chaney Jr e J. Carrol Naish.

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Na trama, o Dr. Gustav Niemann (Boris Karloff) continua o trabalho do famoso Dr. Frankenstein e, como resultado, agora está apodrecendo na prisão. Ele ainda sonha em retomar o trabalho, mas parece improvável que seja capaz de fazê-lo encarcerado. Então o destino intervém – a prisão é atingida por um vendaval que destrói os seus muros, permitindo que Niemann e um outro prisioneiro, o corcunda Daniel (J. Carrol Naish), escapem.

Agora, Niemann pode voltar às suas experiências. Mas há duas tarefas que ele precisa realizar primeiro: encontrar os cadernos do Dr. Frankenstein e se vingar dos homens cujo testemunho o colocou na prisão. Então, com Daniel como seu fiel assistente, ele tem uma série de atividades ambiciosas para colocar em prática. E a partir daqui o filme vira uma bagunça de monstros surgindo pra todo lado…

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Na fuga, um encontro casual com um show itinerante da Câmara dos Horrores dirigido por um tal professor Lampini (George Zucco) oferece a Niemann a oportunidade útil de disfarce perfeito, permitindo que viaje pelos campos sem ser reconhecido ou atraindo suspeita. Uma das exposições de Lampini é o esqueleto de Drácula. É claro que ninguém acredita que é o esqueleto do famoso vampiro, mas quando Niemann remove a estaca do esqueleto, descobre que é realmente o Conde Drácula, que volta à vida.

Encerrado o arco com o Drácula, Niemann está ansioso para voltar ao seu laboratório, especialmente depois de encontrar não apenas os preciosos cadernos do Dr. Frankenstein, mas também os corpos congelados do Lobisomem e do Monstro de Frankenstein. O cientista tem um interesse particular em transplantes de cérebro e agora ele tem muitos cérebros e muitos corpos para brincar. E obviamente, como se trata de um filme horror, você não pode sair por aí ressuscitando mortos e transplantando cérebros de monstros sem que algo dê errado. E nesse caso, o que dá errado é um trágico triângulo amoroso entre o corcunda, o lobisomem e uma cigana…

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Talvez o grande problema de A CASA DE FRANKENSTEIN seja justamente essa combinação desnecessária de vários monstros… Quero dizer, claro que eu adoro a ideia de juntar esses ícones do horror num mesmo filme, mas que seja de uma maneira bem pensada. Por aqui, a trama do Dr. Niemann com seu fiel ajudante, o corcunda Daniel, já tinha material suficiente para um grande filme. Mas resolveram entuchar de monstros sem exatamente uma conexão lógica com o enredo.

O roteiro de Edward T. Lowe Jr (baseado na história de Curt Siodmak) não consegue resolver essa dificuldade. O trecho de Drácula, por exemplo, acaba sendo como um curta-metragem dentro do filme. A história do Lobisomem apaga totalmente a presença do Monstro de Frankenstein, que acaba desempenhando apenas um papel insignificante no final. Como disse, o principal foco da trama é a história da obsessão de Niemann por superar as conquistas de Frankenstein, combinada com os trágicos envolvimentos românticos causados ​​pela chegada da bela cigana Ilonka (Elena Verdugo) no pobre corcunda Daniel. E isso bastava.

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Se os vários aspectos da trama nunca se juntam com muito sucesso, é preciso destacar pelo menos que o filme é tecnicamente bem executado. O diretor Erle C. Kenton mantém um ritmo frenético e oferece muitas emoções ao longo dessa bagunça. Alguns toques visuais são bem interessante (como a cena do assassinato do morcego-vampiro visto apenas em silhueta). A Universal sempre teve a proeza de conseguir fazer com que seus filmes de terror menores, sem grandes orçamentos, parecessem produções mais ricas e aqui não é exceção. Os cenários são impressionantes, especialmente a caverna de gelo onde Frankenstein e Lobisomem são encontrados. As cenas de transformação de monstros são bem feitas, especialmente a do Drácula que vai do estágio de esqueleto até chegar a um vampiro de carne e osso.

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E as atuações, como sempre, variam de boas à excelentes. O desempenho de Karloff é interessante, com seu Dr. Niemann sempre afável, falado em voz baixa e até gentilmente, mas basta alguém se colocar em seu caminho e ele os descarta com crueldade de tirar o fôlego. É como se ele estivesse tão obcecado por seu trabalho que matar é apenas uma pequena irritação. Só é meio estranho vê-lo de volta à série sendo que ele fora o primeiro monstro de Frankenstein, nos três filmes maids marcantes. Portanto é meio bizarro vê-lo contracenando com o monstro (desta vez interpretado por Glenn Strange, que se tornaria oficialmente o monstro nos filmes seguintes produzidos pela Universal).

Lon Chaney Jr. poderia ter interpretado Larry Talbott/Lobisomem até de olhos fechados a essa altura, mas ele adiciona seus toques característicos de pathos, a tragédia, a vontade morrer, o que é sempre bom de ver. John Carradine é um Drácula sinistro e eficaz, uma pena que aparece tão pouco, mas no filme seguinte, A MANSÃO DE DRÁCULA, ele retorna ao personagem. J. Carrol Naish é quem acaba se destacando por aqui como o corcunda Daniel, um assassino de sangue frio, um fiel ajudante e uma vítima de um amor que deu errado.

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A CASA DE FRANKENSTEIN pode até ser desconjuntado, é um pouco mais do que um amontoado de idéias não muito originais e de acumulação de monstros sem qualquer sentido, mas tudo é tão  bem executado visualmente que não se pode deixar de perdoar seus defeitos. E é sempre divertido vê-los tentando espremer ainda mais de uma fórmula tão desgastada. Acaba por ser mais um filme de monstro da Universal que recomendo uma conferida.

FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM (1943)

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FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM (Frankenstein Meets the Wolf Man) foi o primeiro dos grandes crossovers de monstros da Universal. O que na verdade faz parte de uma tentativa desesperada de açoitar um cavalo morto. Já que o filme anterior do Monstro de Frankenstein já demonstrava o desgaste da fórmula*. Embora nos anos 40 ainda surgissem coisas interessantes, como O LOBISOMEM, que comentei no post anterior, ou passatempos patetas, como este aqui, que apesar da bobagem inerente da ideia, é um filme que acaba sendo bem mais divertido do que tinha o direito de ser…

*Quando me refiro a “desgaste da fórmula”, falo especificamente dos “filmes de monstros”… Frankenstein, Drácula, Homem Invisível, personagens que ganharam várias continuações na Universal. No entanto, de um modo geral, a Universal continuava fazendo filmes brilhantes de Horror.

Grande parte de FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM é mais uma continuação de O LOBISOMEM do que de FANTASMA DE FRANKENSTEIN. A trama se passa quatro anos após os eventos que levaram a Larry Talbot, o Lobisomem, mais uma vez encarnado por Lon Chaney Jr., à derrocada. Ladrões de túmulos invadem a cripta da família Talbot, acreditando que dinheiro e jóias foram enterrados com o corpo de Larry, mas quando abrem o caixão, com a lua cheia no céu, o Lobisomem volta à vida.

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Alguns dias depois, Larry acorda num hospital em Cardiff, bem longe do local onde estava seu túmulo. Sua surpresa por estar vivo logo dá lugar ao desespero quando percebe a terrível verdade: que não pode morrer. E tudo o que o sujeito quer é exatamente isso, morrer. Portanto, vai à procura de alguém que possa ajudá-lo. Ele encontra a cigana Maleva, a mãe de Bela, o homem que o transformou em um lobisomem no filme anterior. Maleva diz que há alguém que pode ajudá-lo: o famoso Dr. Frankenstein. Só que quando encontram o castelo de Frankenstein, descobrem que os moradores o incendiaram para destruir o Doutor e seu monstro, como vimos em FANTASMA DE FRANKENSTEIN. Mas no local, procurando os diários do cientista, Larry encontra o monstro envolto de gelo, vivo!

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Acreditando que o monstro pode lhe dizer onde os escritos do Dr. Frankenstein estão escondidos – que contêm o segredo da vida e da morte – Larry libera o monstro. Mas não conseguem encontrar os documentos.

Larry não desiste e encontra a filha do Dr. Frankenstein, que eventualmente ajuda a encontrar o diário do cientista. Na sua busca pela morte, Larry acha outro aliado, o médico que o tratou no hospital, o Dr. Frank Mannering, que restaura o laboratório de Frankenstein no castelo demolido para livrar o protagonista de sua agonia, mas os resultados não são exatamente o que Larry esperava.

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O fato de FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM funcionar de certa maneira tem muito a ver com as pessoas talentosas envolvidas na produção. Curt Siodmak havia escrito o belo roteiro de O LOBISOMEM, e mesmo que aqui a coisa não saia tão certo – a história é extremamente forçada e alguns diálogos são terríveis – dá pra perceber que contém algumas idéias interessantes. Roy William Neill era diretor de vários filmes de Sherlock Holmes da Universal e tinha jeito para suspense, para a construção de uma atmosfera gótica e sombria que ajuda a tornar o filme visualmente atrativo.

Além disso, temos mais uma vez Jack Pierce fazendo as maquiagens. As cenas de transformação do Lobisomem, por exemplo, são até melhores do que a do filme anterior do personagem. Tecnicamente, FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM acaba se revelando um filme muito bom, com vários ótimos momentos isolados. A revelação do monstro atrás da parede de gelo é um destaque, assim como o confronto maluco entre os dois personagens título perto do fim… Que poderia ter uma duração um pouco maior. Mas dá pro gasto.

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No elenco, Lon Chaney Jr mais uma vez apresenta uma performance sensível como o trágico Larry Talbot. E Bela Lugosi, depois de tentar o papel de monstro de Frankenstein desde o primeiro filme, lá em 1931, finalmente consegue encarnar o personagem. Não é das suas melhores atuações (ele está muito melhor como Ygor), mas o faz com certa personalidade. Claro, nem parece o mesmo monstro dos filmes anteriores, mas isso acaba não importando… Até porque esses filmes de monstros da Universal não estão nem aí para a lógica. No FANTASMA DE FRANKENSTEIN, por exemplo, haviam colocado o cérebro de Ygor no corpo do monstro. Mas ao acordar aqui, isso é totalmente ignorado e o personagem age como o monstro estúpido de sempre. Como disse, isso pouco importa.

No fim das contas, apesar dos realizadores estarem claramente espremendo as últimas gotas da laranja, FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM é feito com um grau de habilidade que o material talvez nem merecesse… Mas é uma bobagem bem agradável de se assistir.

O LOBISOMEM (1941)

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Tive que acrescentar um adendo à maratona de filmes sobre Frankenstein que venho postando aqui no blog. O Adendo é O LOBISOMEM (The Wolf Man) e vou explicar o porquê. Depois de FANTASMA DE FRANKENSTEIN, o personagem só retorna em FRANKENSTEIN MEETS THE WOLF MAN, que é o primeiro crossover do personagem com outro monstro clássico da Universal. Então, nada mais justo que apresentar este outro monstro e falar um pouquinho deste seu primeiro filme.

Só que estamos falando de um Lobisomem específico, cujo protagonista é Larry Talbot, vivido por Lon Channey Jr. Porque O LOBISOMEM não foi, obviamente, o primeiro filme de lobisomem… Não foi nem o primeiro filme de lobisomem da Universal, que ainda na década de 30 havia lançado THE WEREWOLF OF LONDON (1935). Mas este aqui foi o filme responsável por colocar lobisomens no mapa, definindo o modelo no qual a maioria dos futuros filmes com o personagem seria inspirado.

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Larry Talbot é o segundo filho de um barão inglês, Sir John Talbot (Claude Rains). Como não é o primogênito, não podia herdar a propriedade ou nenhum título e, sentindo que seu pai pouco se importava com ele, fez as malas e se mudou para os Estados Unidos. Como resultado da morte inesperada do filho mais velho de Sir John, tudo mudou. Larry voltou ao seio da família após dezoito anos, embora talvez mais por um vago senso de dever familiar do que por qualquer outra coisa. No entanto, quando Sir John sugere que eles devem esquecer o passado e reatar os laços, Larry aceita sua posição como herdeiro.

Quando Larry conhece Gwen (Evelyn Ankers), o sujeito começa a se sentir mais animado no local. Embora esteja noiva do chefe de guarda de Sir John, a moça também parece demonstrar algum interesse no protagonista. Tudo está indo bem até a fatídica noite em que Larry e Gwen visitam um campo cigano, acompanhado por Jenny, amiga de Gwen, que deseja ler sua sorte. Mas o cigano Bela (Bela Lugosi) fica meio agitado quando olha para a palma da mão dela e vê um pentagrama. Momentos depois, Larry vê Jenny sendo atacada por um lobo e vai salvá-la. Acaba mordido, mas consegue matar o animal. Os únicos corpos encontrados, no entanto, são o de Jenny e de Bela. Nenhum lobo… Bela era, naturalmente, um lobisomem, e agora esse também será o destino de Larry.

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O roteiro original de Curt Siodmak tinha o personagem de Larry como um americano chamado Larry Gill, que não tinha qualquer relação com Sir John Talbot. Ele simplesmente veio à Inglaterra para instalar um telescópio para o velho. Mais importante, essa primeira versão sugeria que Larry simplesmente acreditava que ele era um lobisomem, mas a questão da transformação física ficava ambígua. Ainda há vestígios dessa versão no filme quando Sir John acredita que seu filho está sofrendo de uma ilusão provocada por algum choque, e que o lobisomem é uma metáfora para o lado sombrio da personalidade humana. Uma metáfora que teria se tornado real na mente de Larry.

Embora essa versão tenha ideias interessantes, e de fato é a base para o excelente CAT PEOPLE, de Jacques Tourneur e produzido por Val Lewton no ano seguinte. A Universal, no entanto, tomou a decisão de pedir a Siodmak que reescrevesse o script para tornar o lobisomem um monstro real, sem ambiguidade. Afinal, é o que o público da Universal esperaria. Os filmes de Lewton/Tourneur adotaram uma abordagem diferente de se fazer horror, mas ambas aproximações são válidas à sua maneira.

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Em O LOBISOMEM, Lon Chaney Jr. tem a sua melhor performance. Ele faz de Larry Talbot um personagem dramático e complexo que talvez seja a chave para o grande sucesso do filme. Ele é o mais trágico de todos os monstros da Universal, um homem que não fez nada para merecer seu destino. E Chaney consegue transmitir tudo isso sem recorrer a um sentimentalismo barato. Outro ator que vale destacar é Claude Rains como Talbot pai, excelente como sempre. Bela Lugosi brilha no seu breve tempo na tela, mas é  vergonhosamente subutilizado. Merecia muito mais…

O diretor George Waggner pode não ter sido o realizador mais inspirado do mundo, mas é bom o suficiente para trabalhar os elementos de horror com competência, consegue criar uma atmosfera densa e ainda dá uma boa atenção ao estado psicológico do protagonista. A fotografia e direção de arte se combinam para tornar O LOBISOMEM visualmente aterrorizante, especialmente nas cenas noturnas, nas florestas e pântanos envoltos de névoa, todos cenários construídos em estúdio. Acabam parecendo artificiais, mas num bom sentido, dando ao filme a sensação de um conto de fadas sombrio. E ainda temos a maquiagem de lobisomem criada por Jack P. Pierce (o mesmo da série de FRANKENSTEIN), que mais uma vez torna icônico o visual de um monstro clássico.

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Posso dizer com toda certeza que O LOBISOMEM é um dos grandes filmes de monstro do período e sua estrutura de tragédia grega é fascinante, que funciona maravilhosamente bem como um filme de horror, mas com um impacto emocional maior do que a maioria dos filmes do gênero que a Universal produzia.

FANTASMA DE FRANKENSTEIN (1942)

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FANTASMA DE FRANKENSTEIN (Ghost of Frankenstein) é o quarto filme da série do monstro de Frankenstein que a Universal produziu e, não surpreende em nada, é o mais fraco até então. Mas ainda é divertido por vários motivos.

E uma das coisas que mais me alegra nesses filmes é como os realizadores forçavam a barra na cara dura para continuar a história. Personagens mortos voltam sem qualquer explicação, conveniências caem no colo do espectador, que simplesmente tem que aceitar e se divertir com tanta bobagem. Mas que no fim das contas tem seu charme. FANTASMA DE FRANKENSTEIN, por exemplo, começa quase imediatamente após os eventos de O FILHO DE FRANKENSTEIN, que comentei recentemente. Descobrimos que mesmo cravado de balas, Ygor (Bela Lugosi) sobreviveu. Os moradores da região decidem que queimar o Castelo Frankenstein e matar de vez Ygor é o único jeito de levar paz ao local. Infelizmente, para eles, não apenas falham em matar Ygor, como também ao usarem explosivos no castelo trazem o monstro (agora encarnado por Lon Chaney Jr.), que havia caído num poço de enxofre fervente, de volta à vida.

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Agora, numa dessas demonstrações de que a Universal estava espremendo as ideias forçadas até a última gota, Ygor e o monstro partem para uma cidade vizinha em busca de OUTRO filho do Dr. Frankenstein, o também doutor Ludwig Frankenstein (Cedric Hardwicke), que convenientemente é um especialista em doenças da mente…

Mal chegam ao local e imediatamente começa a confusão. O monstro tenta ajudar uma menina, mas acaba matando duas pessoas da cidade no processo. Acaba preso, mas é claro que a polícia não pode segurá-lo por muito tempo. Depois de escapar, Ygor e o monstro se abrigam na casa de Ludwig, que é chantageado para ajudá-los a tornar o monstro mais forte. Ludwig propõe um plano: substituir o cérebro da criatura por um saudável (lembrando que lá no primeiro filme, o monstro recebe o cérebro de um psicopata). Felizmente, Ludwig tem em mãos o cérebro de seu jovem assistente, convenientemente morto pelo monstro. Só que Ygor tem seu próprio plano, que é utilizar o seu cérebro, e assim ele e a criatura se tornariam um só.

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Bela Lugosi em FANTASMA DE FRANKENSTEIN mais uma vez rouba a cena interpretando Ygor. O desempenho um bocado sem vida de Cedric Hardwicke como Ludwig Frankenstein e o monstro inexpressivo de Lon Chaney Jr, que não consegue substituir Boris Karloff à altura, facilita para que Lugosi se destaque. O sujeito estava ainda em plena forma e o roteiro faz seu personagem dominante, da mesma maneira que em O FILHO DE FRANKENSTEIN. Lionel Atwill – que fez outro papel no filme anterior – retorna agora como assistente-chefe de Ludwig Frankenstein, Dr. Bohmer, que é um personagem muito mais interessante e complexo do que o próprio Ludwig. Bohmer foi o mentor científico de Ludwig até que um erro infeliz destruiu sua carreira. Suas ambições de restaurar sua reputação estão associadas às maquinações de Ygor.

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Ainda sobre o elenco, A ausência de Karloff obviamente é uma grande perda. O ator não se interessou muito em reviver o monstro e usar a pesada maquiagem de Jack P. Pierce. E é também lamentável que Basil Rathbone, que tinha feito o excelente Wolf Frankenstein no filme anterior, não estivesse disponível.

Como era habitual nos filmes de monstros da Universal, o roteiro de FANTASMA DE FRANKENSTEIN passou por várias reescritas, mas o diretor Erle C. Kenton era, na melhor das hipóteses, um artesão habilidoso que conseguiu pelo menos manter o ritmo e não deixar a coisa se transformar num tédio. E o filme tem pouco mai de uma hora, passa voando. O FILHO DE FRANKENSTEIN, em 1939, havia sido a última tentativa da Universal de continuar sua tradição de filmes de terror com uma produção abastada. Fizeram obviamente bons filmes de terror depois disso, mas eram B movies, com orçamentos mais discretos, como é o caso de FANTASMA DE FRANKENSTEIN. O filme não possui cenários suntuosos e imaginativo em comparação aos filmes anteriores, mas até que não são ruins. E a fotografia é excelente, como em todos os filmes de monstros da Universal. Sombria e recheada de elementos góticos.

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FANTASMA DE FRANKENSTEIN marcou uma desaceleração significativa no ciclo de filmes com o universo Frankenstein pela Universal. Foi a última produção, por exemplo, a ter o Monstro de Frankenstein numa “aventura” solo. Todos os filmes seguintes o personagem dividiu a tela com outros monstros da produtora, como DRACULA e WOLF MAN… De qualquer maneira, FANTASMA DE FRANKENSTEIN vale uma conferida. Os roteiristas já estavam tirando leite de pedra para trazer um novo parente de Frankenstein e poder continuar a história, mas não significa que seja um filme ruim. É legal para quem já está acostumado com esse tipo de produção e ainda tem o Lugosi mais uma vez demonstrando porque é um dos maiores ícones do horror clássico.