MOMENTO JESS FRANCO: LORNA – A EXORCISTA (1974)

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Não há exorcistas em LORNA – A EXORCISTA (Lorna – The Exorcist), mas todo mundo estava tentando lucrar com o sucesso do clássico de William Friedkin, lançado em 1973, O EXORCISTA. Então para o diretor Jess Franco (e muitos outros realizadores da época) o título provavelmente parecia uma boa ideia. Portanto, esqueçam os exorcistas e sigamos em frente.

A trama de LORNA – A EXORCISTA é bem simples, mas a narrativa de Franco, como sempre, não é fácil de acompanhar. A história acaba sendo entremeada de ambiguidades e mistérios que acabam fazendo mais sentido na cabeça de Franco, que já devia estar pensando nos dois ou três próximos filmes que faria à seguir à toque de caixa.

Patrick Mariel (Guy Delorme) é um empresário bem sucedido cujo passado volta para assombrá-lo quando se aproxima o aniversário de 18 anos de sua filha (Lina Romay). Durante o decorrer da trama, ficamos sabendo que a riqueza de Patrick chegou de modo bem fácil. Ele estava na pior e desesperado e conheceu a exótica Lorna (Pamela Stanford), uma espécie de demônio/bruxa que controla a mente e os impulsos sexuais, obviamente, de suas vítimas. Ela garante que Patrick teria sucesso se ele aceitasse um acordo muito simples. Tudo o que ele precisava fazer era transar com ela, depois voltar para casa e fazer amor com sua esposa. Patrick, com sua mente nublada tanto pela luxúria quanto pela ganância, concorda com o pacto.

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Depois de nove meses, vem o resultado, como já dizia o É o Tchan. A esposa (Marianne, interpretada por Jacqueline Laurent) concebeu uma menina, Linda. No entanto, segundo o pacto de Lorna, a criança seria sua quando completasse dezoito anos. LORNA – A EXORCISTA se passa exatamente às vésperas do aniversário de Linda, durante uma viagem em família em que Patrick leva sua mulher e filha para um balneário no sul da França, ao mesmo tempo em que Lorna reaparece para cumprir o pacto realizado quase duas décadas antes.

Enquanto isso, os elementos sobrenaturais típicos de Jess Franco vão tomando conta do enredo. Nunca temos certeza se estamos lidando com manifestações reais do sobrenatural ou se tudo pode ser explicado como coincidência, loucura, ou algum tipo de hipnose. Como nos melhores filmes de Franco, não há uma linha divisória clara entre o real e o imaginário. E é aí que franco se aproveita para explorar longas cenas eróticas, com as personagens femininas se encontrando sem qualquer preocupação lógica de tempo e espaço. A quantidade de sexo e nudez em LORNA – A EXORCISTA são prodigiosas, com direito a sexo lésbico explícito, mas isso é mais ou menos esperado em um filme do diretor nesse período.

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E como nos melhores trabalhos de Franco, a perversidade e o sexo são o núcleo do filme. As dimensões psicológicas do sexo e do sobrenatural se reúnem num coquetel perturbador. Alguns diretores são obcecados por temas e passam anos trabalhando para tentar se expressar perfeitamente na tela. Franco não tinha tempo a perder, e trabalhava seus temas obsessivamente FAZENDO FILMES, tentando expressá-los em caráter de acumulação. Por esse motivo que o sujeito tem uma filmografia tão extensa. E é também a razão pela qual uma série de trabalhos de Franco, em determinados períodos, são tão similares. Enfim, é impossível compreender a obra do homem até que tenha visto um bocado de seus filmes… E LORNA – A EXORCISTA é um desses exemplares que deve ser visto no contexto de um ciclo de filmes de Franco da primeira metade dos anos 70. Um ciclo que inclui alguns de seus filmes de terror eróticos mais provocativos, controversos e perturbadores.

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O elenco contribui bastante, os quatro personagens principais se entregam ao projeto. Com destaque para Lina Romay, que está perfeita, atribuindo à Linda uma mistura inquietante de inocência e depravação. Temos uma breve, mas divertida, aparição de Howard Vernon como mordomo de Lorna. E o próprio diretor faz sua habitual participação como um médico numa subtrama que envolve uma mulher seminua num sanatório que poderia literalmente ser cortada do filme sem qualquer prejuízo… Mas esse tipo de bagunça narrativa também faz parte da graça na obra de Franco.

Vale destacar ainda as locações. LORNA – A EXORCISTA Foi filmado na cidade ultramodernista de Grand Motte, em Camargue, no sul da França, num espetacular resort à beira-mar. E Franco abusa desse cenário com sua câmera recheada de zoons… Er… Não é dos seus melhores trabalhos de direção, mas tem alguns momentos mais inspirados. Especialmente filmando a arquitetura dos prédios modernos do local.

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LORNA – A EXORCISTA foi restaurado e lançado há alguns anos lá fora pela Mondo Macabro, uma das melhores distribuidoras de home video que existe atualmente. A qualidade da imagem está impecável dentro do possível… Recomendo aos experts em Jess Franco que ainda não conferiram. Quem não conhece muito bem o trabalho do diretor, existem outros exemplares mais acessíveis para adentrar no sórdido mundo de Jess Franco.

MOMENTO JESS FRANCO: VIRGIN REPORT (Jungfrauen-Report, 1972)

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A virgindade sempre foi tema de interesse na obra de Jess Franco. Vez ou outra aparece uma virgem como elemento de reflexões filosóficas e… ok, quem eu tô tentando enganar? O fato é que Franco resolveu realizar VIRGIN REPORT, o pseudo-documentário definitivo sobre o assunto, para dar vazão à uma de suas obsessões, examinar a questão da virgindade em diversas culturas diferenciadas ao logo dos séculos e em vários locais ao redor do planeta. Obviamente, tudo uma mera desculpa para filmar mulheres nuas. Continuar lendo