O REI DOS KICKBOXERS (The King of the Kickboxers, 1990)

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O diretor de OS IRMÃOS KICKBOXERS, Lucas Lowe, se reuniu novamente com o ator Loren Avedon para realizar um dos clássicos mais sensacionais da era dos kickboxer movies. Mesmo que vários dos ingredientes já tivessem surgidos em outros exemplares anteriormente, toda a configuração do cenário narrativo e dos habituais elementos básicos do gênero reunidos e reciclados aqui é justamente o que faz de O REI DOS KICKBOXERS o CIDADÃO KANE dos filmes de luta no cinema americano!

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Não sei direito por onde começar, mas vamos à trama, que é sobre esse policial vivido pelo Avedon, sempre metido em problemas, do tipo que não age segundo as regras e aproveita para demonstrar suas habilidades em artes marciais pra cima da bandidagem. Por esses motivos, o chefe de polícia quer se ver livre do sujeito por uns tempos e decide enviá-lo numa missão na Tailândia, um caso estranho que envolve snuff movies, no qual lutadores americanos são convencidos a participarem de filmes clandestinos, mas acabam realmente morrendo durante as filmagens. Especialmente quando enfrentam um certo lutador, ninguém menos que Billy Blanks!

O problema é que há dez anos Avedon já havia estado na Tailândia acompanhando seu irmão mais velho num torneiro de kickboxing. Logo após a luta em que sagrou-se campeão, o irmão acabou assassinado por Blanks seja lá por qual motivo. E agora nosso herói tem a chance de se vingar. Mas assim que retorna ao país, descobre que ainda não está pronto para um confronto com o gigante de ébano e passa por um desses inusitados treinamentos, com um inusitado mestre, que só faz sentido mesmo num filme desse tipo.

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A cena do assassinato do irmão logo no início é extremamente brutal, com o Blanks desferindo violentos chutes até o sujeito perder a vida, na base da porrada mesmo! Uma das melhores coisas do filme, obviamente, é Blanks como vilão. Não exagero quando digo que ele está no mesmo nível de um Tong Po ou Chong Li e é claro que isso é fundamental para o sucesso de O REI DOS KICKBOXERS. É o típico vilão que funciona por termos pleno desprezo na mesma medida em que demonstramos respeito por suas magníficas habilidades. E quando finalmente ocorre o confronto final entre Avedon e Blanks, num cenário exótico, um ringue de bambu, fica difícil ter esperanças pelo nosso herói.

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Além dessa dupla, Avedon e Blanks, temos uma pequena participação do Jerry Trimble, com direito à mullets, como traficante de drogas desmascarado pelo protagonista em sua demonstração de policial badass, e que também acaba numa sequência de luta alucinante. Aliás, todas as sequências de pancadaria conseguem manter o mesmo nível dos outros filmes da série NO RETREAT, NO SURRENDER, com coreografias elaboradas (do Corey Yuen, diretor dos dois primeiros filmes da série) e execução perfeita dos atores/lutadores. Para ter uma noção, as filmagens do climax demoraram duas semanas para serem finalizadas. Hoje, basta tremer a câmera, meter a tesoura na edição e pronto, já se dão por satisfeitos.

Como já havia dito em um dos textos anteriores, O REI DOS KICKBOXERS também faz parte da série NO RETREAT, NO SURRENDER. Em alguns países, foi lançado com o título KARATE TIGER 4, que é outra maneira pela qual a série é conhecida.

BACK IN ACTION (1993)

O criador do Tae Bo, Billy Blanks (que aquela altura se metia a fazer filmes de porrada), encarna um ex-soldado das forças armadas americanas que agora trabalha como taxista. O problema é sua irmã, que vive se metendo (e metendo) com a escória, meliantes, gangsters e traficantes de drogas. Dividindo a tela, temos o típico policial casca grossa, vivido pelo ex-wrestler canadense “Rowdy” Roddy Pipper.

Com essas duas figuras em ponto de bala, BACK IN ACTION começa quente: O cenário é um cemitério onde ocorrerá uma negociação de entorpecentes. De um lado, a bandidagem (com a irmã do Blanks pagando de gostosa), do outro, a polícia agindo sob disfarce. E nas beiradas, Blanks tentando tirar a irmã dessa vida.

É claro que a negociação vai pelos ares e começa um tiroteio de lascar. O parceiro de Piper leva chumbo e morre, a irmã de Blanks acaba sequestrada. Piper e Blanks cruzam o caminho um do outro, trocam umas porradas num bar e mais tarde juntam forças para chutar a cara, metralhar e explodir vagabundos ao melhor estilo ação desenfreada dos anos 80/90.

Dirigido pela dupla Steve DiMarco e Paul Ziller (este último fez muita coisa… digamos, que nos interessa), o enredo importa bem pouco, porque a essência está na ação desses dois brutamontes e na química que resulta dessa parceria na luta contra o crime. Blanks nunca foi um ator talentoso, mas até que está bem à vontade por aqui, o que realmente vale é a sua eficiência nas sequências de luta. E se Roddy Pipper não é nenhum Orson Welles na atuação, ao menos possui carisma de sobra. Não vamos esquecer que o sujeito é o protagonista de ELES VIVEM, um dos filmes mais geniais de um dos diretores mais geniais que existe: John Carpenter. Piper e Blanks voltariam ainda a juntar forças alguns anos depois em TOUGH AND DEADLY.

A produção evidencia o baixo orçamento, no entanto, como vários filmes B de ação desse período, nota-se que boa parte do dinheiro foi muito bem gasta para a construção de sequências de ação, especialmente no departamento de dublês. O filme inteiro é recheado de cenas de pancadaria, tiroteiros, explosões e até uma ótima perseguição de carros pelas ruas movimentadas. A contagem de corpos é bem alta. Só não esperem algo do nível dos caros exemplares de ação de um Schwarzenegger ou Stallone. BACK IN ACTION tem pretensões mais discretas,mas para os amantes de um pequeno B movie de ação, diverte na medida certa.