O MENSAGEIRO DA VINGANÇA (1963)

Eu não poderia deixar passar em branco por aqui uma pequena homenagem ao grande Henry Silva, que morreu na semana passada. Uma dessas figuras do cinema de gênero que sempre tive em alta conta, desses atores que sempre me fazem abrir um sorriso seja lá que tipo de filme esteja envolvido. Coadjuvante em westerns americanos, protagonizando policiais na Itália ou fazendo vilões maquiavélicos em filmes de gente como Burt Reynolds, Chuck Norris e Steven Seagal… O cara era foda.

Mas hoje assisti a O MENSAGEIRO DA VINGANÇA (Johnny Cool), uma das raras produções americanas estreladas pelo Henry Silva. Não é um grande filme, mas é peculiar para o período que foi feito. Um bom gangster movie jazzístico e bem movimentado que vale sobretudo pela atuação do homem, estoica e com aquela cara esculpida que sempre teve o magnetismo que fez a sua figura.

Dirigido por William Asher e baseado no romance de John McPartland “The Kingdom of Johnny Cool“, o filme transcende seu título original no termo cool (que simboliza um personagem legal, frio, indiferente), para entregar um noir tardio mais sombrio e violento.

Evidente que estamos em 1963 aqui, então violento pelo menos para os padrões da época, em termos de contagem de corpos e assassinatos que o personagem principal, o tal Johnny Cool de Henry Silva, comete durante sua jornada.

O MENSAGEIRO DA VINGANÇA começa na Itália em 1943, quando soldados nazistas tentam abusar de uma jovem acompanhada de seu filho. O resgate chega tarde demais e o menino pega uma arma que agora se torna sua “família”.

Duas décadas depois, o menino com a metralhadora se tornou Salvatore Giordano (Silva), o benevolente senhor da guerra que protege sua província. Durante um casamento num vilarejo, o local é invadido por soldados e ele é perseguido pelas colinas de helicóptero até ser finalmente abatido por um tiro do alto. Mas não é o fim, os policiais o substituem por um outro homem que acaba sofrendo o destino sumário planejado para ele.

Despertando em Roma na luxuosa mansão de Johnny Colini (Marc Lawrence) – um mafioso no exílio – Salvatore é persuadido a se tornar o anjo vingador de Johnny nos Estados Unidos, utilizando até mesmo seu próprio nome. Uma vez que este substituto do real Johnny “Cool” tenha cuidado dos negócios, ele herdará o império de Colini. Salvatore está morto. Mas agora vive Johnny Cool.

O sujeito parte para os Estados Unidos e começa a se infiltrar no submundo do crime tocando o terror. Chantagens, ameaças e morte sem remorsos. Ao mesmo tempo, os olhos de Johnny pousam em Dare Guinness (Elizabeth Montgomery, famosa pelo seriado A FEITICEIRA), uma mulher entediada que vê em Johnny algo real. Embora tenha um charme que desmente sua verdadeira faceta de assassino frio. Os dois se apaixonam, mas é só questão de tempo até que seu passado e presente alcancem o futuro dos dois.

Ao longo do caminho, há participações especiais de algumas figuras que tornam O MENSAGEIRO DA VINGANÇA mais interessante. Telly Savalas entra em cena e é apresentado como Vincenzo ‘Vince’ Santangelo, o líder da máfia local. Alguns integrantes do Rat Pack (grupo de artistas que fizeram sucesso na cultura pop do período, e no cinema fizeram, entre tantas coisas, ONZE HOMENS E UM SEGREDO) dão as caras por aqui, como Joey Bishop, que surge como um vendedor de carros usados, e Sammy Davis Jr. ostentando um tapa-olho numa das melhores sequências do filme. Peter Lawford não aparece, mas ele foi produtor do filme. E vale destacar a pequena participação de Elisha Cook Jr.

Nem todos chegam ao final do filme… O fato de ter algumas presenças do Rat Pack não torna O MENSAGEIRO DA VINGANÇA menos sombrio. O filme retrata uma vida rodeada por morte e por homens que não têm escolha a não ser matar ou morrer. Sem qualquer glamour em relação à máfia, algo que sempre foi meio habitual.

Não é um filme perfeito, lá pelas tantas percebe-se que a trama se estende mais que deveria e começa a se complicar na própria simplicidade do enredo. Mas mas ainda é uma experiência interessante pela proposta de um filme cru e brutal no período em que foi lançado. Tem visual bacana e a trilha sonora é maneira. E há a performance soberba de Henry Silva, que convence no olhar de seu personagem a sua essência amoral e um código de honra que o separa dos homens que ele quer destruir.

Henry Silva tem uma filmografia linda, cheia de preciosidade nos mais variados gêneros. Não vamos encontrar muito protagonismo dele em solo americano, o que é uma pena, mas pra quem for explorar os polizieschi vai se esbaldar de Henry Silva badass. O cara sem dúvida alguma deixou sua marca em cada produção que esteve, seja como protagonista, coadjuvante ou pequenas participações em filmes B dos anos 90. Fica a dica de O MENSAGEIRO DA VINGANÇA por hora. E viva Henry Silva!

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