O SILÊNCIO DO LAGO (1988)

O SILÊNCIO DO LAGO (Vanishing, no título em inglês, ou Spoorloos, no original em holandês) é um bom ponto de partida para conhecer a obra do diretor George Sluizer. Não que ele seja um diretor essencial para se conhecer, mas vai que alguém se interesse… No entanto, O SILÊNCIO DO LAGO, esse sim, vale a pena. É seu filme mais famoso e fez um baita sucesso internacional no período, ganhou status cult e chegou a ter um remake americano em 1993, dirigido pelo próprio Sluizer e que ainda não vi, mas aparentemente não conseguiu o mesmo resultado (cometeu o velho pecado de mudar o final original para um mais otimista…).

O filme é uma divagação sobre considerar a vida cotidiana salva e segura até que seja alterada por uma desgraça em um único instante. Saskia (Johanna der Steege) não esperava encontrar Raymond Lemorne (interpretado pelo falecido Bernard-Pierre Donnadieu) em um ponto de parada de uma rodovia lotado de viajantes. Ela não esperava encontrar um homem que se descobriu psicopata ainda jovem e passou anos ensaiando o momento em que sequestraria uma mulher aleatória. Lemorne exibe o verdadeiro mal, mas consegue esconder sob a pele de respeitável empregado de classe média, casado com uma esposa devotada e duas filhas. Depois de várias tentativas fracassadas, o sujeito consegue drogar e sequestrar uma mulher – que por acaso é Saskia. O que ele planeja fazer com sua vítima após o sequestro é um segredo sabiamente mantido do público até os momentos finais do filme.

O namorado de Saskia, Rex (Gene Bervoets), é um pouco ingênuo no início, mas quando Saskia simplesmente desaparece debaixo do nariz de dezenas de pessoas, dá-se início ao seu processo de transformação. O SILÊNCIO DO LAGO também é sobre violência inesperada e aleatória que pode acontecer em qualquer lugar – até mesmo em uma loja de conveniência visivelmente “segura” em um posto de gasolina lotado de famílias no meio do dia. É assustador. E a forma como Sluizer conduz tudo isso é algo belo, de alto calibre, desde a tensão inicial da sequência do túnel, passando pelo jogo de gato e rato entre Rex e Lemorne, até o aterrorizante final – quando Rex faz uma aposta arriscada para descobrir o que realmente aconteceu com Saskia.

Stanley Kubrick chamou O SILÊNCIO DO LAGO de o filme mais assustador que ele já tinha visto e procurou Sluizer para discutir como ele editou o filme. O que faz bastante sentido, já que o suspense é todo construído sobre a necessidade de saber o que realmente aconteceu com a moça sequestrada. O que deve ter causado um bocado em Kubrick, um homem que claramente tinha uma curiosidade voraz. E assim como seu sequestrador, O SILÊNCIO DO LAGO é cuidadoso com suas revelações, aumentando a tensão em um ritmo desconfortável e lento, mas deveras perturbador. Sluizer usa essa curiosidade do público como uma arma à seu favor, criando um vínculo simpático com Rex e uma fascinação obsessiva por Lemorne. E a conclusão é sem dúvida um dos finais mais enervantes do cinema de horror dos anos 80.

3 pensamentos sobre “O SILÊNCIO DO LAGO (1988)

  1. O Titulo desse filme quando foi exibido na TV Aberta foi ” DESAPARECIDA” ,quando foi exibido na Rede Globo em sua sessões de filmes.Um Feliz Ano Novo,amigo,Perrone !

  2. Eu assisti esse versão holandes na Rede Globo na extinta “Sessão de Gala” faz tempo e já não me lembro da sua data de exibição eu sei que passou primeiro que á versão americana ,esse versão americana eu gosto por que o Jeff Bridges roubando filme ,é um canastrão de primeira ,mas quando embarca no filme ,ele rouba á cena ,tem até a Sandra Bullock no seu começo de carreira nesse filme , o final dessa versão holandesa é um dos finais mais impactante que já assisti .. muito melhor que á versão americana sem dar spoiler .A versão americana do filme ” O SILÊNCIO DO LAGO” foi exibido na Tela Quente em 26/08/1996 e depois foi exibido á exaustão na suas sessões de filme … mas já faz muito tempo que esse filme não é exibido na TV Aberta ,assim como tantos outros ,ótima postagem ,um abraço de Anselmo Luiz.

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