FUGA DO PLANETA DOS MACACOS (1971)

Após o desfecho de DE VOLTA AO PLANETA DOS MACACOS, não havia lá muita necessidade de continuar a franquia. Mas arrumaram um jeito de seguir em frente… O resultado não é apenas uma sequência BIZARRA, mas o que mais surpreende é o fato de que FUGA DO PLANETA DOS MACACOS é também muito bom!

Três chimpanzés, Cornelius (Roddy McDowall), Zira (Kim Hunter) e o Dr. Milo (não faço ideia), de alguma forma botam pra funcionar a nave afundada no lago no primeiro filme e voam para fora do planeta antes que a Terra seja explodida. Devido à enorme onda de choque, eles são enviados de volta no tempo até 1973.

A primeira metade de FUGA DO PLANETA DOS MACACOS é de uma leveza graciosa; Cornelius e Zira, os amados chimpanzés que co-estrelaram os dois filmes anteriores, são tratados como celebridades neste período onde macacos falantes é algo que não se vê todo dia. Com direito até a uma montagem divertida deles fazendo compras nas melhores lojas de Beverly Hills.

Mas quando o conselheiro científico do presidente do EUA, Dr. Hasslein (Eric Braeden), descobre que Zira está grávida e que eles vêm de um futuro onde os macacos dominam o homem, o sujeito decide que o bebê deve ser abortado e o casal submetido à procedimentos cirúrgicos para que não tenha mais a possibilidade de reprodução.

FUGA DO PLANETA DOS MACACOS acaba tendo o final mais sombrio e desagradável de toda a franquia (e isso quer dizer muita coisa, já que o filme anterior termina simplesmente com a Terra explodindo). No clímax, Cornelius, Zira e o recém-nascido (que deram o nome de Milo, em homenagem ao terceiro chimpanzé que mencionei no início, mas que morre ainda no começo do filme) se escondem em um cargueiro abandonado. Hasslein os encontra e não perde tempo pra atirar. Primeiro nas costas de Zira e depois no bebê chimpanzé.

O pacífico Cornelius, em um acesso de raiva, atira em Hasslein antes de ser morto a tiros por policiais. Cornelius cai do convés superior do barco, morto, enquanto Zira rasteja até o bebê Milo e o joga no mar.

Pesadíssimo…

Há um momento ainda no final que alivia um pouco o aspecto niilista – Zira trocou seu bebê quando estava se escondendo no circo administrado por Armando, vivido por Ricardo Montalban. O verdadeiro bebê Milo está seguro e FUGA DO PLANETA DOS MACACOS termina com o pequeno chimpanzé dizendo sua primeira palavra: “Mamãe”.

FUGA DO PLANETA DOS MACACOS não é apenas devastador porque todos os personagens que somos simpáticos – e que serviam até de alívio cômico nos filmes anteriores – são brutalmente executados a tiros. Mas também porque, como no anterior, o filme julga que nunca seremos uma espécie melhor e é impossível manter as convicções morais diante de determinadas situações. Até Cornelius, um dedicado ativista pela paz que teve problemas por ajudar Taylor (Charlton Heston) a fugir das autoridades no clássico de 68, acaba se tornando um assassino no final.

Desta vez a direção é de Don Taylor, sujeito cuja carreira esteve mais ligada à televisão e no cinema nunca passou de um diretor bate-estaca de estúdio, sem muita personalidade. Outro filme dele que já comentei por aqui foi A PROFECIA II. Mas, para o tipo de filme que é FUGA DO PLANETA DOS MACACOS o sujeito conduz bem as coisas.

E apesar de ser um bom capítulo para a série, ainda prefiro o segundo filme, com todo seu senso de aventura e, claro, de ridículo também, que deixa tudo mais divertido. O primeiro, obviamente, continua imbatível. Agora é rever o quarto, A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS (72), pra ver como se sai hoje em dia…

6 pensamentos sobre “FUGA DO PLANETA DOS MACACOS (1971)

  1. Devia ter meus 9 ou 10 anos quando assisti esses três primeiros filmes na SESSÃO DA TARDE.
    O primeiro principalmente me marcou demais: a presença imponente de Charlton Heston, com uma dublagem sensacional que tornou inesquecível a cena onde Taylor, ao recuperar a voz, brada: “Tire essas patas de cima de mim seu macaco imundo!”; a maquiagem espetacular; a brutalidade, insanidade e crueldade de todas as situações; a trilha do mestre Jerry Goldsmith; aquele final, QUE FINAL, “que me pirou o cabeção”, como cantaria o CHARLIE BROWN JR😄, com mais um brado desesperado do Taylor ( “Seus maníaaacos! Maditos sejam, malditos sejam!) e mais um show do dublador. Isso sem contar as inesperadas cenas de nudez em plena tarde (daquela época), em que, além de não ser peladice feminina, o pior de tudo, ainda era o MOISÉS com a busanfa de fora❗🤣 – OS DEZ MANDAMENTOS, do Cecil B. De Mille, havia sido exibido, e eu adorado em assistir, pouco tempo antes, pela primeira vez na televisão, no Supercine.😆 No outro dia, na escola, a molecada só falava no filmaço dos macacos falantes.
    Na semana seguinte, exibiram o DE VOLTA, pra alegria da molecada que teria mais daquele (nosso) mundo insano, e mais um final acachapante e pessimista, onde quem não morria a tiros, era explodido com o planeta todo. 😦
    E tome mais macacos falantes na próxima semana, num filme que após a irônica e inesperada morte de Milo, parecia que a história caminhava para um rumo mais esperançoso. Hum, toda aquela situação de bajulação aos pobres Cornelius e Zira já era mais uma crítica a nossa sociedade no qual o filme nos torna cúmplices e, como cê escreveu Perrone, em seguida nos entrega o final mais cruel e brutal da série. Me lembro que, eu ainda moleque, fiquei um bom tempo pensativo e cabisbaixo, após o fim do filme.
    Os outros dois últimos filmes, A CONQUISTA e A BATALHA, não passaram na mesma época, me lembro que só vim assisti-los na segunda metade da década de 90 na SESSÃO DAS DEZ no SBT.
    Gosto pra caramba dos 5 filmes dessa primeira série cinematográfica da macacada, apesar de irem decaindo de qualidade técnica de filme a filme, principalmente devidos os orçamentos cada vez menores. Só que o tom crítico permanece por toda a série e foi herdado pela nova trilogia. Críticas que, infelizmente, estão muito atuais: controle e desprezo pelas minorias, exaltação da violência e da força na sociedade, negação e manipulação de fatos científicos e históricos, etc. Somente o filme do Tim Burton, que apesar de divertido, não soube mesclar no ponto certo o entretenimento com a discussão social, até tem, mas se perde em função do puro espetáculo, sem falar que o roteiro é ruim demais.
    Valeu, Perrone❗

    • Caramba, verdade… Nunca me atentei pra isso. Vou ter que corrigir nos outros textos também… haha! Valeu!

  2. Pingback: A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS (1972) | vício frenético

  3. O terceiro macaco era o ator Sal Mineo (1939-1976) ele fez dois filmes com ator James Dean “JUVENTUDE TRANSVIADA & ASSIM CAMINHA Á HUMANIDADE” e ele tambem fez outros trabalho no cinema e na TV Norte Americana.
    ótima postagem esperamos ansioso os outros filmes dessa grande saga de ficção do final do anos 60 e inicio dos 70.
    Um Abraço de Anselmo Luiz.

    • Sim, verdade! Eu tinha visto o nome dele nos créditos, mas depois esqueci completamente dele… E nem fui checar no imdb, etc…haha! Valeu pela informação, Anselmo! Abraço!

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