CRIME SEM SAÍDA (2019)

Eu já tava bem interessado em ver CRIME SEM SAÍDA (21 Bridges), mas acabei deixando passar. Com essa morte do Chadwick Boseman que pegou todo mundo de surpresa, foi o primeiro filme que veio à mente para homenageá-lo. Que me descupem os fãs de PANTERA NEGRA e outros filmes da Marvel, mas às vezes tudo o que preciso é de um thriller policial classudo que parece saído dos anos 90… E CRIME SEM SAÍDA dá conta do recado.

Boseman é o detetive de homicídios da NYPD Andre Davis, desses incorruptíveis, que diz que ser policial está no seu DNA. Mas que é pintado como “gatilho solto” pela rapaziada da corregedoria por conta do alto número de bandidos que eliminou no cumprimento do dever. Todas as ocorrências foram consideradas justificadas, mas há sempre um foco constante sobre ele por conta disso e também por um histórico familiar muito forte: era moleque ainda quando seu pai, um oficial respeitado e altamente condecorado, foi morto em ação. Seus superiores acham que esse trauma talvez seja a resposta para o seu alto número de meliantes despachados.

Mesmo assim, Davis é chamado para investigar um tiroteio no Brooklyn que deixou oito policiais mortos após o roubo de um enorme estoque de cocaína no porão de uma vinícola. Os dois autores da façanha são veteranos de guerra que agora trabalham como mercenários: Ray Jackson (Taylor Kitsch) e seu relutante cúmplice Michael Trujillo (Stephan James). Jackson se revela um matador sangue frio e foi quem realmente matou todos os policiais, enquanto Michael tentava sem sucesso conter a situação. Agora eles são forçados a descarregar toda a coca que puderem pegar, lavar o dinheiro e sair da cidade.

O problema é que Davis já mandou trancar Manhattan, interditou todas as 21 pontes (que é o título original da bagaça) que levam à ilha e os agentes do FBI dão a ele até 5h30 da manhã para encontrar os assassinos antes que eles assumam o caso. Por ordem do capitão McKenna do 85º distrito do Brooklyn (J.K. Simmons), Davis terá a detetive de narcóticos Frankie Burns (Sienna Miller) como parceira, e eles partem pra descobrir onde estão Jackson e Trujillo.

No entanto, quanto mais Davis se aprofunda nos detalhes, mais as coisas parecem cheirar mal. Várias questões envolvendo a participação da polícia no caso deixam o detetive com a pulga atrás da orelha…

Já deu pra perceber que estamos em terreno conhecido por aqui. Quem já viu meia dúzia de filmes de policiais corruptos consegue matar algumas questões facilmente. CRIME SEM SAÍDA não faz muito suspense sobre quem são policiais corruptos e alguns parecem ter isso estampado na testa. Mas o roteiro de Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan (THE KINGDOM) não tá muito interessado em prezar por originalidade e alguns diálogos e situações dão aquela sensação de “putz, já vi isso em outro filme”. O que realmente importa por aqui é a tensão de como as coisas se desenrolam, numa única noite, num ritmo que mantém o espectador ligado do início ao fim.

Ajuda muito CRIME SEM SAÍDA ter um protagonista tão sólido em Chadwick Boseman, o cara manda muito bem. Realmente perdemos um herdeiro de um Denzel Washington… O elenco de apoio também é muito bom e vale a destacar a pequena, mas simpática, participação Keith David (ELES VIVEM) como um chefe de polícia.

A direção é do veterano da TV Brian Kirk (BOARDWALK IMPIRE, GAME OF THRONES), que faz um bom trabalho em manter o ritmo e a tensão das coisas em ponto de bala. Sabe também onde colocar a câmera para filmar tiroteios e perseguições bem feitas. A sequência do tiroteio no assalto do início, que resulta nos oito policiais mortos, por exemplo, é ótima e muito bem conduzida, mostra que o sujeito não tá pra brincadeira. Belo trabalho também do diretor de segunda unidade, o grande coordenador de dublês Spiro Razatos (VELOZES & FURIOSOS 8 e vários filmes da Marvel, onde deve ter topado com os Irmãos Russos, que são produtores deste aqui).

CRIME SEM SAÍDA não tem nenhuma pretensão além de entreter como um exemplar de thriller policial bastante competente. Como eu disse, não há nada de muito original, mas não deixa de ter bons momentos de tensão e ação e boas atuações. E ainda não vai ser a despedida de Chadwick Boseman das telas, aparentemente deixou um trabalho completo, que deve estrear ainda este ano. O rapaz tava indo bem…

CPC-UMES FILMES – LANÇAMENTO DE SETEMBRO

Em comemoração ao centenário do diretor Serguei Bondarchuk, o lançamento da CPC-UMES FILMES em setembro está mais do que especial. Será GUERRA E PAZ, que Bondarchuk dirigiu em 1966, considerada a mais fiel adaptação cinematográfica do clássico de Liev Tolstoi.

E a coisa só melhora: a edição terá dois discos de blu-ray (ambos de 50Gb, dupla camada), a partir da matriz cuidadosamente restaurada pelo Estúdio Mosfilm em 2017, com traduções e legendas direto do russo, Embalado em luva com acabamento especial, quatro cards, um pôster e todas as quatro partes que formam este épico do cinema soviético (lançados entre 66 e 67), num total de mais de 7 horas de pura maravilha cinematográfica.

DISCO I
Guerra e Paz I – Andrei Bolkonsky (146 min.)
Em 1805, o príncipe Andrei Bolkonsky alista-se no Exército Russo. Gravemente ferido na Batalha de Austerlitz, onde os seus são esmagados, o príncipe é erroneamente dado como morto. Pierre Bezukhov, filho bastardo de um dos homens mais ricos do país, é apresentado à alta sociedade.

Guerra e Paz II – Natasha Rostova (97 min.)
A segunda parte da adaptação do romance de Liev Tolstoi ocorre no ano de 1809. Andrei Bolkonsky se apaixona por Natasha Rostova, e a pede em casamento. Seu pai, o Conde Rostov, pede, porém, que aguardem o retorno do príncipe de uma viagem. Nesse interim, Natasha conhece Anatol Kuraguin, e os dois acabam se envolvendo. Bolkonsky descobre o romance e anuncia o fim do noivado. Bezukhov declara seu amor por Rostova enquanto tenta consolá-la.

DISCO II
Guerra e Paz III – O Ano de 1812 (81 min.)

O exército de Napoleão invade a Rússia em 1812. Pierre Bezukhov acompanha a preparação para o iminente confronto. Ele se voluntaria para a artilharia na Batalha de Borodino, maior cena de guerra já filmada, que contou com 300 atores, 120 mil figurantes e o uso de 200 canhões e 100 mil fuzis. A unidade de Bolkonsky espera na reserva durante o conflito, e o príncipe é atingido por estilhaços de um tiro de canhão. À medida que presenciamos a guerra em toda a sua crueza, ressalta-se o repúdio de Tolstoi ao que o próprio escritor descreve como “o contrário da lógica da razão e da natureza humanas”.

Guerra e Paz IV – Pierre Bezukhov (96 min.)
O Exército de Napoleão avança pelo território russo. Mas a evolução se mostra infrutífera pela efetividade da tática de “terra arrasada” do Exército Russo, sob o comando do marechal Mikhail Kutuzov, que não poupa Moscou, incendiando a cidade para que os invasores não encontrem “nem abrigo, nem suprimentos”. Enquanto Moscou arde, os Rostovs se retiram e no caminho levam vários soldados feridos, entre eles Bolkonsky. Pierre Bezukhov permanece na cidade. Os franceses são derrotados na Batalha de Krasny, e iniciam o longo percurso de volta, acossados pelas tropas russas.

SOBRE O DIRETOR SERGUEI BONDARCHUK
Nasceu na Ucrânia. Depois de combater na Segunda Guerra com o Exército Soviético, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Russa de Cinematografia (VGIK), na oficina de Serguei Gerasimov e Tamara Makarova, em 1948. A partir de então trabalhou como ator no Estúdio Mosfilm, debutando em um papel secundário no filme A JOVEM GUARDA, dirigido pelo próprio Serguei Gerasimov. Em 1951 protagonizou o drama CAVALEIRO DA ESTRELA DE OURO dirigido por Yuly Raizman. Em 1955 interpretou o papel principal em uma adaptação de OTELO, de Shakespeare, dirigida por Serguei Yutkevich. Em 1959 estreou na direção em O DESTINO DE UM HOMEM. Do seu trabalho como diretor destacam-se ainda GUERRA E PAZ (1966-67), ELES LUTARAM PELA PÁTRIA (1975), sobre a Batalha de Stalingrado; e a adaptação da obra de Aleksandr Pushkin, BORIS GODUNOV, que protagonizou e dirigiu em 1987. Seu último trabalho foi O DON TRANQUILO (1992), série de TV que realizou com seu filho, Fyodor. Foi distinguido com o título de Artista Popular da URSS em 1952, com o Prêmio Stalin também em 1952, e como Herói do Trabalho Socialista em 1980.


O lançamento de GUERRA E PAZ será em 25/09/20, mas a edição já está em pré-venda no site da CPC-UMES FILMES (clique aqui para acessar) e em breve estará também nos sites das lojas parceiras da distribuidora. Não deixe de seguir a CPC-UMES FILMES nas redes, Facebook e Instagram, para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos em DVD e Blu-Ray.

CINE POEIRA – EPISÓDIO 12

Steve McQueen e Sam Peckinpah não imaginavam que um singelo filme de assalto, feito unicamente para servir de veículo ao astro McQueen, seria tão influente quando uniram forças para fazer OS IMPLACÁVEIS (The Getaway, 1972). No programa desta semana, comentamos sobre esse clássico do cinema policial lançado nos anos 70, a década que abalou as estruturas do gênero.

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O FILHO DE DRÁCULA (1943)

O FILHO DE DRÁCULA (Son of Dracula), é o terceiro filme da Universal que carrega o nome “Drácula” no título. E sabiamente afasta-se tanto quanto possível dos cenários e enredo do romance original de Stoker. Da mesma forma que o segundo, que comentei aqui recentemente, A FILHA DE DRÁCULA. Havia essa preocupação dos realizadores em não “recauchutar” os filmes originais, que tinham sido sucessos, e se arriscavam em fazer algo diferente.

Uma das principais mudanças deste aqui é o cenário, que foge do visual gótico e sombrio europeu e transcorre na região pantanosa do sul dos EUA num período “contemporâneo”.

Kay Caldwell (Louise Allbritton) é a herdeira excêntrica de um rico coronel, cujo entusiasmo pelo ocultismo chama a atenção de todos à sua volta. Sua família a considera estranha, mas isso não impede que seu jovem vizinho, Frank (Robert Paige), se apaixone perdidamente por ela. Sua extravagância atual é a telepatia, pois acredita que está em contato com um misterioso aristocrata do Leste Europeu e que o está chamando. E, de fato, é exatamente isso que está acontecendo.

A bagagem de seu misterioso nobre, um húngaro chamado Conde Alucard (Lon Chaney Jr), chega de trem. Inclui várias caixas grandes, mas não há sinal de seu dono. Rola até uma festa de boas-vindas na mansão Caldwell sem o hóspede, mas Kay está convencida de que ele chegará naquela noite. Só que coisas estranhas e trágicas começam a acontecer… A noite cai e um incêndio inexplicável irrompe no quarto do patriarca da família, cujo cadáver é então descoberto. Parece que foi vítima de um ataque cardíaco, embora alguém diga que parece que morreu de susto. Pouco depois, o conde húngaro chega à porta da mansão.

O médico de família, Dr. Brewster (Frank Craven), desconfia do recém-chegado desde o início, e suas suspeitas aumentam quando ele conversa com o professor Lazlo na embaixada da Hungria em Washington, que nunca ouviu falar de conde Alucard, mas ambos notam que Alucard escrito ao contrário é Drácula. E a partir daí o filme vira uma sucessão de situações de horror, uma corrida contra o tempo para se livrar do mal que paira sobre a região ao melhor estilo do Ciclo de Monstros da Universal.

E uma das coisas mais legais de O FILHO DE DRÁCULA é que os personagens não levam muito tempo pra descobrir que algo sobrenatural está acontecendo, todos parecem muito familiarizados com o mito de Drácula e rapidamente percebem o tipo de ameaça que estão lidando.

O grande Lon Chaney, o homem das mil faces, não teve a oportunidade de viver o Conde Drácula, embora fosse a primeira escolha da Universal ainda para o primeiro filme, mas morreu antes das filmagens iniciarem e acabou substituido por Bela Lugosi. Então é legal ver que seu filho, Lon Chaney Jr, teve a chance em O FILHO DO DRÁCULA, num papel não tão icônico quanto o Drácula original de Lugosi, mas com uma atuação bem digna e nada convencional que dá ao personagem um tom de ameaça bem expressiva.

Parece que dividiu as opiniões em relação à sua interpretação por aqui. Eu achei ótimo, um de seus melhores desempenhos no Ciclo de Monstros. Lembrando que o sujeito também já foi o Monstro de Frankenstein em O FANTASMA DE FRANKENSTEIN, mas seu papel mais famoso foi em O LOBISOMEM, onde faz o personagem título e que continuou fazendo numa série de outros filmes. Por aqui, como Drácula, tem muita presença física e seu olhar penetrante realmente está assustador, transmite uma crueldade e um desprezo pela humanidade que possivelmente nem mesmo o Lugosi expressava.

Louise Allbritton como Kay está fantástica, refletindo perfeitamente suas preocupações “mórbidas”. Sua imagem não fica tão marcada pelo erotismo perturbador que Gloria Holden em A FILHA DE DRÁCULA, mas Kay é uma das personagens mais fascinantes da série, que se revela uma figura ainda mais perversa e perturbadora do que o vilão ostensivo de Drácula. Você quase sente pena do pobre Alucard por se envolver com ela… E mais pena ainda pelo pobre Frank, que vive o drama mais interessante do filme. O fato de O FILHO DE DRÁCULA ser focado em uma personagem feminina tão forte, o torna quase um filme noir, com Kay numa espécie de femme fatale da parada.

Por falar em film noir, a direção é do grande Robert Siodmak, justamente conhecido pelos belos exemplares do gênero que tem em sua filmografia, como a primeira versão de OS ASSASSINOS, com Burt Lancaster. Siodmak dá a’O FILHO DE DRÁCULA algumas das imagens mais impressionantes de qualquer filme de terror daquela época – cenas como o conde surgindo no pântano, o uso da névoa como efeito das variadas metamorfoses do vampiro e o morcego na cela em que Frank está preso são bons exemplos de composições de arrepiar.

Siodmak faz uma mistura interessante de estilos, com sequências centradas nos dois doutores “caçadores de vampiros”, Dr. Brewster e Lazlo, sendo filmadas principalmente à luz do dia, enquanto as cenas centradas em Kay, o Conde, e especialmente Frank, são noturnas, filmadas num estilo expressionista. Enfatiza o contraste entre a realidade cotidiana e o mundo de pesadelo dos vampiros. Para um filme que coloca um vampiro no mundo dos anos 1940, é uma boa sacada.

Pena que foi o único filme do gênero, horror puro, que Siodmak realizou. O FILHO DE DRÁCULA foi uma bela descoberta, talvez eu tenha gostado ainda mais que o anterior, A FILHA DE DRÁCULA, embora o primeiro continue imbatível.

A partir daqui, o personagem começaria a aparecer no Ciclo de Monstros em produções que faziam crossover entre as figuras que habitam os universos desses monstros clássicos, especialmente com Lobisomem e o Monstro de Frankenstein, como em A CASA DE FRANKENSTEIN e A CASA DE DRÁCULA, que já foram assuntos aqui no blog. Falta comentar alguma coisa ainda sobre ABBOTT & COSTELLO CONTRA FRANKENSTEIN, mais uma dessas misturas malucas, agora numa comédia, mas que marcou como a última aparição de Bela Lugosi como Drácula.

★ ★ ★

CINE POEIRA – EPISÓDIO 11

No CINE POEIRA desta semana, comentamos sobre O HOMEM SEM SOMBRA (Hollow Man), subestimado título na filmografia do famoso diretor holandês, Paul Verhoeven. Até o presente momento, foi seu último projeto bancado por um grande estúdio de Hollywood. Estrelado por Elizabeth Shue e Kevin Bacon, este thriller sci-fi conta com um trabalho de efeitos especiais que continua a impressionar mesmo após os seus 20 anos de lançamento.

Ouça o novo episódio por aqui mesmo:

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CINE POEIRA – EPISÓDIO 10

Antes que eu me esqueça, o episódio dessa semana no Cine Poeira foi o resgate de nada mais, nada menos que o clássico badass noventista CON AIR: A ROTA DA FUGA (1997), longa de estreia do diretor Simon West. Uma pequena joia do cinema de ação estrelada pelas feras Nicolas Cage, John Malkovich e John Cusack!

Ouça o episódio apertando o play aqui mesmo:

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A FILHA DE DRÁCULA (1936)

Demorou cinco anos para a Universal lançar uma sequência para o seu sucesso de 1931, DRÁCULA, que comentei por aqui outro dia. A produção tem seu lado conturbado e aconteceu num período delicado para a produtora, cujos problemas financeiros chegaram no auge e a família Laemmle – incluindo o patriarca Carl Laemmle, que fundou o estúdio – foi chutada sem cerimônia.

Enquanto isso, A FILHA DE DRÁCULA (Dracula’s Daughter) teve o roteiro reescrito trocentas vezes ao longo dos anos, Bela Lugosi fora dispensado depois de exigir um salário melhor, a produção teve o orçamento estourado por conta dos atrasos e de más decisões, acabou caríssimo para os padrões da Universal… Tudo contribuiu para que essa continuação demorasse tanto para ver a luz do dia.

Apesar disso, A FILHA DE DRÁCULA é uma sequência intrigante. Percebe-se claramente que não se trata de um caça níquel mequetrefe que repete a fórmula do primeiro filme para enganar o espectador, mas, ao contrário, toma caminhos diferentes, subverte as expectativas e desenvolve ideias muito originais, realmente provocativas, tão interessantes quanto as do seu antecessor.

O filme começa exatamente onde DRÁCULA termina, com o vampirão tendo acabado de ter o coração perfurado com uma estaca pelo professor Von Helsing (por alguma razão o “Van” foi trocada por “Von” para esta sequência, sabe-se lá porquê). Então, Von Helsing, novamente vivido por Edward Van Sloan, ainda está no mesmo local que fecha o filme de 1931, quando a polícia chega e o sujeito acaba acusado do assassinato do Conde Drácula – e que, novamente, por alguma misteriosa razão, sumiram todos os outros personagens do filme anterior que poderiam testemunhar a seu favor. Vai entender…

Sir Basil Humphrey (Gilbert Emery), da Scotland Yard, até preferiria não prosseguir com as acusações contra o professor, mas não tem escolha. Aconselhado a buscar por um bom advogado, Von Helsing, em vez disso, pede para ser defendido por seu ex-aluno, um psiquiatra chamado Jeffrey Garth (Otto Kruger). Mas tudo complica ainda mais quando o corpo do Conde Drácula – um boneco de cera que imita a aparência de Lugosi – desaparece da estação de polícia.

O corpo, na verdade, fora roubado pela Condessa Marya Zaleska (Gloria Holden), a qual se refere ao longo do filme como a filha de Drácula… Filha biológica? Aí as coisas já não ficam muito clara, tendo em vista que o Conde tinha essa capacidade de transformar algumas de suas vítimas em “filhos da noite“, o que pode ser o caso da Condessa…

Filha real ou não, o que é interessante é o fato da condessa ser uma vampira relutante, à princípio, esperando que a morte de Drácula a libertasse da maldição do vampirismo. Mas, aparentemente, a coisa não deu certo… Agora, ela espera que talvez a psiquiatria possa ajudá-la.

E é curioso que A FILHA DE DRÁCULA talvez seja o primeiro filme a abordar a ideia do vampirismo como uma forma de transtorno psiquiátrico, ou de hipinoze ou até de domínio mental do que realmente necessidade de sangue e outras características dos vampiros. Ideias que já foram exploradas inúmeras vezes ao longo das décadas, mas que aqui talvez mereça o crédito por ser o primeiro a fazê-lo.

Jeffrey Garth, o tal psiquiatra amigo de Von Helsing, acaba justamente sendo o disponível para lhe atender. A Condessa, desesperada para escapar de seu destino vampírico, fica cada vez mais convencida de que apenas Garth pode ajudá-la. Se ele não fizer de bom grado, bom, o bicho vai pegar… Porque aí toda relutância acaba e a vampira resolve assumir o lado malvado do papai. Enquanto isso, mais corpos com o sangue drenado e furos no pescoço vão surgindo pelas ruas de Londres.

Uma das coisas mais fascinantes de A FILHA DE DRÁCULA é a personificação de Gloria Holden como a personagem do título. Com uma beleza exótica, parece exatamente como se imagina uma vampira. Seu desempenho é crucial e funciona lindamente. Ainda no elenco, Irving Pichel, que faz o fiel criado da Condessa, está agradavelmente assustador, perfeito para esse tipo de papel.

Agora, não sei se Otto Kruger foi a escolha ideal para Garth. Não vi muita graça no sujeito e ele não parece muito à vontade como “herói” da parada. Já Marguerite Churchill se diverte como sua assistente, Janet. E Edward Van Sloan tem uma participação bem menos expressiva que a do primeiro filme. Gostava mais quanto ele era “VAN” Helsing ao invés de “Von“…

O visual do filme, assim como o do primeiro, é impressionante. Mas o diretor Lambert Hillyer e o diretor de fotografia George Robinson não exageram muito no gótico, estilo que utilizam para fazer uma combinação eficaz entre, digamos, o gótico dos vampiros e o universo moderno da ciência e tecnologia. A sequência em que a Condessa Zaleska e Sandor realizam um ritual com o corpo do Conde Drácula tem umas composições bem bonitas.

No geral, o filme não possui o talento de um Tod Browning (ou James Whale, que chegou a ser escalado para dirigir A FILHA DE DRÁCULA), mas Hillyer era um diretor competente. Embora não tivesse tanta experiência com horror, teve no currículo mais de 160 filmes (a grande maioria Westerns).

Novamente temos aqui a ideia do vampirismo ligado à sexualidade, ou mais especificamente à sexualidade doentia ou perigosa que sempre existiu, sendo uma característica central da maioria das histórias que lidam com vampiras. O que, claro, nos leva à cena mais notória de A FILHA DE DRÁCULA, em que uma jovem é atraída ao estúdio da Condessa para posar para uma pintura e acaba se tornando mais uma vítima. A cena certamente dá a sensação de sedução e lesbianismo, reforçada pelo fato de que a garota se desnuda parcialmente para posar para a condessa, que a devora com os olhos.

Então, A FILHA DE DRÁCULA também é o primeiro exemplar de vampiras lésbicas? Muito provável. E essa cena certamente pode ser interpretada dessa forma, sem precisar refletir muito. No entanto, existe outra ideia possível. Já que a condessa deseja escapar de sua existência vampírica e viver como uma mulher normal, ela sente ciúmes e ódio ​​por outras mulheres que podem viver uma vida normal e experimentar o amor e etc… Sua atitude com Janet, que acaba sequestrada ao final (o que rende mais cenas bem ambíguas de lesbianismo) tende a apoiar a ideia de que ela pode ser motivada pelo ódio às mulheres, e não por outros sentimentos…

Enfim, A FILHA DE DRÁCULA me deixou com esses pensamentos, que não precisam exatamente de definições e respostas. É um filme de horror inteligente que não se fecha e por isso mesmo tão bom. Talvez realmente faltasse a maestria de um Tod Browning na direção, que é o que torna o primeiro DRÁCULA imbatível. Mas dentre os filmes do ciclo de monstros da Universal, A FILHA DE DRÁCULA é um dos mais fascinantes.

★ ★ ★

12 ANOS NA TELA

Aos trancos e barrancos, seguimos em frente, cada vez com menos tempo pra postar, cada vez com menos leitores lendo o que a gente escreve… Mas tudo bem, continua sendo o cantinho ideal pra demonstrar a minha paixão pelo cinema. Obrigado aos que continuam visitando o recinto! 😀

SCOTT ADKINS + ISAAC FLORENTINE: SEIZED [TRAILER]

SCOTT ADKINS RETOMA PARCERIA COM O DIRETOR ISAAC FLORENTINE NUM FILME DE AÇÃO EXPLOSIVO

Acabei de ver o trailer de SEIZED, que é um dos filmes que tô mais ansioso para conferir este ano. Produção que reúne novamente o diretor Isaac Florentine, um dos maiores especialistas em ação da atualidade (há uns quinze anos que venho falando isso, na verdade) com o maior astro de ação que temos em atividade no cinema ocidental, Scott Adkins.

E SEIZED tá com uma cara muito boa! Aparentemente vai ser mais um petardo de ação e pancadaria. Saca só o trailer abaixo e aproveita pra conferir o grande Mario Van Peebles marcando presença como chefe de um cartel que sequestra o filho de Adkins para colocá-lo de volta em ação (não é a toa que o filme vem sendo chamado de encontro entre JOHN WICK e BUSCA IMPLACÁVEL).

Agora que já assistiram a essas imagens espetaculares, vamos à sinopse oficial: “Escondido com seu filho Taylor na costa mexicana, Nero (Scott Adkins) espera deixar sua violenta carreira nas Forças Especiais para trás. Mas depois que sua casa é atacada e Taylor sequestrado, o misterioso Mzamo (Mario Van Peebles) ordena que Nero elimine os membros de três sindicatos rivais do crime. Se ele falhar, Taylor morrerá. Agora, com balas voando e corpos caindo enquanto Nero completa sua missão, ele corre para encontrar o esconderijo de Mzamo e buscar vingança.

Atualmente, Adkins tem realizado uma boa parceria com o diretor Jesse V. Johnson em filmaços como AVENGEMENT e THE DEBT COLLECTOR, mas foi Isaac foi Florentine que colocou Adkins no radar dos fãs de ação com FORÇA ESPECIAL, de 2003, e a criação de uma das figuras mais fascinantes do cinema de artes marciais recentes, o icônico Yuri Boyka, da série de filmes UNDISPUTED.

Contando com SEIZED, a dupla já possui oito produções em parceria. Enquanto Jesse V. Johnson tem até o momento seis filmes em conjunto com Adkins. A maioria desses filmes, de ambas parcerias, forma a nata do cinema de ação de baixo orçamento da atualidade.

E SEIZED, ao que tudo indica, chega pra fazer parte dessa leva. E dá pra sentir que a coisa vai ser legal, realmente uma mistura maluca de vibes de BUSCA IMPALCÁVEL e JOHN WICK, que são bons materiais para se inspirar. E não há como negar a sensação de filme de ação que assistíamos em VHS pegando em locadoras nos anos 90.

Junto com o trailer, a rapaziada também divulgou uma data de lançamento para SEIZED, que será 13 de outubro, em DVD e nos streamings da vida… Não faço ideia se chega tão rápido no Brasil, mas se não acontecer, temos meios alternativos para poder aproveitar Scott Adkins esmurrando bandidos.

DRACULA (1931)

Revi o DRACULA do Tod Browning, estrelado pelo grande Bela Lugosi. Nunca fui grande fã desta versão e cheguei a comentar no início do texto que fiz sobre FRANKENSTEIN, de James Whale, há alguns meses, que “FRANKENSTEIN sempre me pareceu bem mais avançado e moderno, resistindo mais ao teste do tempo. Posso ver e rever que não me canso. Já o filme de Browning… Não que eu não goste de DRACULA, que também tem sua inegável importância para o gênero, mas não me encanta tanto quanto outros exemplares de horror do período.

Bom, eu era jovem e não sabia de nada quando vi DRACULA nas primeiras vezes. E ainda não sei muita coisa. Mas revi agora em blu-ray e, pronto, foi dessas revisões que muda tudo. Daí que sempre ressalto a importância de rever determinados filmes. Estes não mudam, mas a nossa sensibilidade sim. E ao longo do tempo obras que achamos menores acabam se revelando maravilhas do cinema. Como é o caso de DRACULA.

Pode-se dizer que trata-se da primeira versão oficial levada para as telas do romance de Bram Stoker, considerando que NOSFERATU (22), de Murnau, seja a versão pirata do romance. Essa história todo mundo conhece, os caras não compram os direitos de adaptação do livro, e mesmo assim seguiram em frente achando que ninguém ia se importar. O filme é maravilhoso, mas a rapaziada se ferrou. Mesmo com todas as diferenças em relação ao material original, não teve jeito… A viúva de Stoker chegou a processar e ganhar uma ação contra o estúdio alemão, mas acabou não recebendo nada, porque a produtora faliu…

Enfim, quem acabou adquirindo os direitor foi a Universal. Mas depois de tanto escreve e reescreve de quase uma década, o roteiro de DRACULA acabou tomando como ponto de partida uma peça de teatro da Broadway, que havia sido um enorme sucesso. E essa decisão talvez tenha sido a mais importante. A estrutura complexa do romance de Bram Stoker nunca foi muito propícia à adaptações e praticamente todas as versões pra cinema do livro suprimem vastos trechos da bagagem detalhada que Stoker usa na sua narrativa.

Por outro lado rolou um custo criativo nesta decisão que fez com que o filme ganhasse tantos detratores. O lance é que o roteiro herdou estratégias narrativas que vinham das origens teatrais do material. Isso é evidente na natureza desequilibrada do filme. Os primeiros vinte minutos de DRACULA, que transcorrem na Transilvania progridem num ritmo legal, é bem mais dinâmico, que vai sempre se renovando esteticamente, explorando cenários, praticamente tudo aqui é clássico, icônico. Mas no momento em que a ação muda para Londres, o filme dá uma desascelerada e imputa seus princípios teatrais… Mas, olha, confesso que não tive problema algum com isso nessa revisão.

Até porque a direção de Browning e o trabalho de câmera atmosférico de Karl Freund (com sua bagagem vinda do expressionismo alemão) mantém sua força. Gosto bastante também dos diálogos e os atores estão ótimos. É bom lembrar que apesar desse material ter sido readaptado, imitado e parodiado tantas vezes ao longo dos anos, aqui temos a origem de tudo. É curioso ver os perosnagens discutindo as coisas pela primeira vez antes de se tornarem clichês. E temos algumas sequências bem legais, como os duelos travados entre Van Helsing (Edward Van Sloan) e o Conde Drácula. Uma das melhores é quando o famoso caçador de vampiros percebe que o conde não está refletindo sua imagem num pequeno espelho de um porta-charutos.

E obviamente algo que se destaca e ainda nos fascina acima de tudo é termos a presença deste ator magnífico em cena que é BELA LUGOSI. Muitos atores ao longo da história viveram o personagem, mas nenhum como Lugosi, com seu forte sotaque e um magnetismo bizarro, o sujeito realmente capturou o poder do personagem e acabou sendo um pioneiro em filmes de terror, deu o tom para a maneira como os vampiros foram percebidos pelo público nos anos seguintes. E foi uma diferença gritante entre o vampiro de NOSFERATU, o Conde Orlok, vivido por Max Schreck, uma criatura repulsiva de se olhar, do Dracula de Lugosi, um esbelto e educado aristocrata que tem a possibilidade de transitar livremente pela sociedade, pelo mundo dos mortais, para satisfazer seu desejo de sangue.

O vampiro de Lugosi dependia de sua própria personalidade e estilo de atuação imaginativa para criar um retrato tão distinto na personificação da criatura. O “monstro” que vemos na tela e o vampiro saído das páginas escritas por Stoker fizeram uma combinação perfeita, tornando Lugosi, o ator, e o personagem, Drácula, autênticos sinônimos. Curioso que Lugosi só conseguiu o papel depois que a escolha preferida da Universal havia morrido – Lon Channey, que já havia trabalhado com Browning em diversos filmes anteriores. Lugosi acabou escolhido, mas tinha a vantagem de já ter vivido o personagem na tal peça na Broadway alguns anos antes.

Outra coisa que me chama a atenção e deixa essa segunda metade do filme mais interessante é como em 1931, o diretor Tod Browning já era bastante direto sobre o ato de “chupar sangue” como um eufemismo para o sexo. Browning realizou DRACULA um ano depois que o Código Hays começou a censurar as produções, numa tentativa de “limpar” os filmes. Mas Browning foi capaz de eoncontrar maneiras de driblar os censores em vários momentos, como nas cenas em que Drácula adentra o quarto de Mina à noite e inclina-se sedutoramente sobre sua figura adormecida ou, ainda quando Dracula envolve-a possessivamente em sua capa numa dos gestos mais eróticos do filme.

E há as três esposas de Drácula (e até hoje me surpreende que Browning tenha escapado dessa também), em seus longos vestidos brancos espectrais, pairando sobre Renfield (Dwight Frye, que é outro destaque) no castelo, preparando-se para um banquete… Aliás, como são incríveis todos os planos que envolvem essas três esposas, a forma como Browning realiza composições com esses corpos dentro dos quadros é um trabalho de mise en scène assustadoramente bonito.

Esta versão de Browning continua não sendo a minha favorita sobre o lendário vampiro. Ao longo dos anos tivemos vários exemplares que aprecio mais: o da Hammer, O VAMPIRO DA NOITE (1958), com o Christopher Lee encarnando o personagem; a do Coppola, já nos anos 90, é provavelmente a minha favorita; a do John Badham, DRACULA, de 1979, também é maravilhosa; e até a do Paul Morrissey, BLOOD FOR DRACULA, com Udo Kier fazendo o vampirão é um bom concorrente nessa disputa… No entanto, DRACULA, de Todd Browning, depois dessa revisão, já entra na lista de favoritos, sem dúvidas.

E foi o seu sucesso que encorajou a Universal a produzir e lançar um segundo filme de horror no mesmo ano de 1931, FRANKENSTEIN, dando início em definitivo ao famoso ciclo de filmes de monstro da Universal (depois ainda viria A MÚMIA, O HOMEM INVISÍVEL, O LOBISOMEM e várias continuações de todos esses).

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CINE POEIRA – EPISÓDIO 09

O programa desta semana do Cine Poeira celebra o diretor que nos entregou alguns dos melhores filmes dos anos 80: JOHN LANDIS. O trio de comentaristas se debruça sobre UM ROMANCE MUITO PERIGOSO (Into the Night, 1985) com Jeff Goldblum, Michelle Pfeiffer e um elenco repleto de figuras conhecidas e vários outros diretores de cinema.

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VAN DAMME na Netflix

Jean-Claude Van Damme está preparando seu primeiro projeto com a Netflix, uma comédia de ação chamada THE LAST MERCENARY. Na trama, Van Damme interpreta um misterioso ex-agente do serviço secreto que deve retornar urgentemente à França quando seu filho é falsamente acusado de tráfico de armas e drogas.

THE LAST MERCENARY será dirigido pelo cineasta francês David Charhon, que talvez não seja muito conhecido do público, mas tem um filme que recomendo, chamado OS OPOSTOS SE ATRAEM (2012), uma comédia policial muito boa lançada em DVD no Brasil pela A2 FILMES.

THE LAST MERCENARY agora é um dos filmes mais aguardados por mim, a chance de termos um dos nossos ícones de ação envolvido em algo realmente bom é bem grande, tendo em vista que a cada, sei lá, quatro filmes que o sujeito lança atualmente, apenas um tem prestado… Van Damme também andou brincando recentemente que tem desejo de lançar um “último grade épico de artes marciais”, o que acho bem difícil se concretizar… Apostaria que essa ideia vai ficar engavetada.

Van Damme deveria mesmo é focar em finalizar e finalmente lançar o filme que dirigiu e protagonizou, o inédito FULL LOVE, que também já teve o título EAGLE PATH, cujas filmagens foram concluídas há mais de dez anos, chegou a sair um trailer disso, e até hoje nada… Será que é tão ruim assim, do cara não lançar essa merda nunca mais? Enfim, enquanto esperamos mais de JCVD, a produção de THE LAST MERCENARY já está atualmente em andamento na França. Aguardamos mais informações.

ALAN PARKER

Não era um diretor que eu consideraria genial, mas ALAN PARKER deixa uma obra com algumas preciosidades. Filmes especiais pra mim, que marcaram o início da minha cinefilia, como MISSISSIPI EM CHAMAS (1988), ASAS DA LIBERDADE (1984), O EXPRESSO DA MEIA NOITE (1978) e vários outros. E ainda teve uma obra-prima que revi há alguns meses e continua uma belezura: CORAÇÃO SATÂNICO (1987). Tinha 76 anos. RIP.