GRANDES FILMES DE AÇÃO DA DÉCADA (2010 – 2019)

Iniciando os trabalhos de final de ano/década, com algumas listas de filmes favoritos e escolhas pessoais. Vamos começar com a dos filmes de ação que, particularmente, me chamaram a atenção durante estes últimos dez anos. Em ordem cronológica:

EMytrKQWkAAfzGk13 ASSASSINS (2010), de Takashi Miike

D2dAPUuW0AcQCKtESSENTIAL KILLING (2010), de Jerzy Skolimowski

TheExpendables-RourkeMirrorOS MERCENÁRIOS (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone

ef3f90565e8c3366cffa899ef1d52336UNDISPUTED III: REDEMPTION (2010), de Isaac Florentine

EMMkB9nWkAAfmYOUNSTOPPABLE (2010), de Tony Scott

DuVCkVnWsAA8BllFAST FIVE (2011), de Justin Lin
Menção honrosa: FAST & FURIOUS 6 (2013), de Justin Lin, e
FAST 7 (2015), de James Wan

ELnh5YCW4AAOZmNTHE RAID (2011), de Gareth Evans

D0ld2KJWoAAkjCJDREDD (2012), de Pete Travis

EBUQkcAXkAM3fRdOS MERCENÁRIOS 2 (2012), de Simon West

C2EBtnBXUAUYyEgNUIT BLANCHE (2011), de Frédéric Jardin

D70krXjXYAMFbSQRESIDENT EVIL: RETRIBUTION (2012), de Paul W. S. Anderson

DvmHP7BUUAAsgnoSKYFALL (2012), de Sam Mendes

DVjdFKvUMAEuWXcUNIVERSAL SOLDIER: DAY OF RECKONING (2012), de John Hyams

DfGmU5PUwAAbpuATHE PACKAGE (2013), de Jesse V. Johnson

EMWmbT6WwAAPlY7EDGE OF TOMORROW (2014), de Doug Liman

EM9Te8tUcAAkhXHJOHN WICK (2014), de David Leitch e Chad Stahelski

D-oowzQWwAAGjTcNON-STOP (2014), de Jaume-Collet Serra
Menção Honrosa: os outros filmes de ação do Serra em parceria com Liam Neeson: UNKNOWN (2011), RUN ALL NIGHT (2015) e
O PASSAGEIRO
(2018)

ELCpHq7UEAAGocyBLACKHAT (2015), de Michael Mann

ELtSB-RUUAECsArMAD MAX: FURY ROAD (2015), de George Miller

CPNSS5qUsAABtNrSPL 2: A TIME FOR CONSEQUENCES (2015), de Soi Cheang
Menção honrosa: MOTORWAY (2012), também dirigido por Soi Cheang

DGUIZ_vU0AExXAOJOHN WICK: CHAPTER 2 (2017) de Chad Stahelski

Doler2bW0AAYjn9MISSION: IMPOSSIBLE – FALLOUT (2018), de Christopher McQuarrie
Menções Honrosas: todos os outros filmes da série lançados nessa década: GHOST PROTOCOL (2011), de Brad Bird e ROGUE NATION (2015), de Christopher McQuarrie

EEwcb6qXYAAdgzFAVENGEMENT (2019), de Jesse V. Johnson
PS: Encontra-se disponível na Netflix com o título IMPLACÁVEL

GLOBO DE OURO 2020

Saíram os indicados para a premiação do Globo de Ouro 2020. E a seleção até que tá interessante. Pena que o De Niro não foi indicado a melhor ator, mas vou ficar na torcida para que O IRLANDÊS leve o máximo de prêmios que conseguir… Nas categorias de cinema que me interessam, ficou assim:

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MELHOR FILME – DRAMA
1917, de Sam Mendes
CORINGA (Joker), de Todd Phillips
DOIS PAPAS (The Two Popes), de Fernando Meirelles
HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (Marriage Story), de Noah Baumbach
O IRLANDÊS (The Irishman), de Martin Scorsese

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL
ENTRE FACAS E SEGREDOS (Knives Out), de Ryan Johnson
ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD (Once Upon a Time in Hollywood), de Quentin Tarantino
JOJO RABBIT, de Taika Waititi
MEU NOME É DOLEMITE (Dolemite is my Name), de Craig Brewer
ROCKETMAN, Dexter Fletcher

MELHOR FILME – ESTRANGEIRO
DOR E GLÓRIA (Dolor y gloria), Pedro Almodovar (ESPANHA/FRANÇA)
OS MISERÁVEIS (Les Misérables), de Ladj Ly (FRANÇA)
PARASITA (Gisaengchung), de Bong Joon Ho (CORÉIA DO SUL)
RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS (Portrait de la jeune fille en feu), de Céline Sciamma (FRANÇA/ITÁLIA)
THE FAREWELL, de Lulu Wang (CHINA)

MCDMAST_ZX009MELHOR ATOR – DRAMA
Adam Driver, HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
Antonio Banderas, DOR E GLÓRIA
Christian Bale, FORD VS FERRARI 
Joaquin Phoenix, CORINGA
Jonathan Pryce, DOIS PAPAS

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Charlize Theron O ESCÂNDALO
Cynthia Erivo, HARRIET
Renée Zellweger, JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS
Saoirse Ronan, ADORÁVEIS MULHERES
Scarlett Johansson, HISTÓRIA DE UM CASAMENTO

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL
Daniel Craig, ENTRE FACAS E SEGREDOS
Eddie Murphy, MEU NOME É DOLEMITE
Leonardo DiCaprio, ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD
Roman Griffin Davis, JOJO RABBIT
Taron Egerton, ROCKETMAN

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Ana de Armas, ENTRE FACAS E SEGREDOS
Awkwafina, THE FAREWELL
Beanie Feldstein, FORA DE SÉRIE
Cate Blanchett, CADÊ VOCÊ, BERNADETTE?
Emma Thompson TALK SHOW – REINVENTANDO A COMÉDIA

ATOR COADJUVANTE
Al Pacino, O IRLANDÊS
Anthony Hopkins, DOIS PAPAS
Brad Pitt, ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD
Joe Pesci, O IRLANDÊS
Tom Hanks, UM LINDO DIA NA VIZINHANÇA

ATRIZ COADJUVANTE
Annette Bening, O RELATÓRIO
Jennifer Lopez, AS GOLPISTAS
Kathy Bates, O CASO RICHARD JEWELL
Laura Dern, HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
Margot Robbie, O ESCÂNDALO

bts-parasite-bong-joon-ho-interview-2MELHOR DIRETOR
Bong Joon Ho, PARASITA
Martin Scorsese, O IRLANDÊS
Quentin Tarantino, ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD
Sam Mendes, 1917
Todd Phillips, CORINGA

MELHOR ROTEIRO
DOIS PAPAS
ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD
HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
O IRLANDÊS
PARASITA

O IRLANDÊS (The Irishman, 2019)

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Sei que muita gente torce o nariz pelo velho Scorsese pós-2000, com essa ideia de que ele não é mais o mesmo, que seu talento diminuiu, seus filmes pioraram, blá, blá, blá… Pra mim sempre foi um deleite todas as vezes em que parei para assistir a um novo filme do homem nas últimas duas décadas. Mas realmente há muito tempo que um filme dele não alcançava de modo tão expressivo as suas ambições como o faz O IRLANDÊS. É o ápice, um desses monumentos que vez ou outra nos aparece, cada vez mais raro, e que traz uma sensação de PURO CINEMA (apesar da ironia de ter sido produzido pela Netflix). Um filme para mostrar ao mundo um autor que ainda está pulsando, que ainda pode nos maravilhar.

E uma das principais maravilhas do filme vem na forma do testemunho representado por vários dos melhores atores da história. Robert De Niro, Al Pacino, Harvey Keitel, Joe Pesci, que foi literalmente retirado da aposentadoria voluntária para dar vida a um dos grandes papéis de sua carreira. E é fascinante perceber como o tempo passou pra esses sujeitos, agora com as caras enrugadas, velhos, frágeis, que no fim das contas é o próprio assunto d’O IRLANDÊS. O tempo que passa, as coisas pelas quais rememoramos da vida, envelhecer… Um épico que reflete as diferentes passagens da vida e o destino inevitável que nos espera. Para alguns, no entanto, por sorte ou azar, há tempo suficiente para refletir sobre o passado e as escolhas realizadas.

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Frank Sheeran (De Niro), o irlandês do título, é um desses exemplos. É o único que restou. Velho, doente, numa casa de repouso, ninguém acreditaria que fora um dia um dos maiores assassinos que trabalhou para a máfia italiana. Mas ele conta sua história, a partir da década de 1950 e vai se estendendo por mais de 40 anos. Um veterano de guerra que virou motorista de caminhão, se envolve com Russell Bufalino (Pesci) e sua família criminosa na Pensilvânia, sobe na vida para se tornar um homem de respeito, mesmo ao custo de perder o amor de sua esposa e filhas. Eventualmente, ele vai trabalhar para Jimmy Hoffa (Al Pacino), o lendário presidente do sindicato dos caminhoneiros, que na época era um dos homens mais poderosos da América. E cujo desaparecimento permanece um completo mistério, embora o filme tente trazer alguma luz para o assunto baseando-se nos relatos do próprio Sheeran (publicado no magnífico livro I Heard You Paint Houses, de Charles Brandt), mas que não são efetivamente comprovados e talvez nunca saibamos a verdade dos fatos.

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Superficialmente, temos então Scorsese voltando ao chamado “filme de máfia” pelo qual é bastante celebrado por obras como OS BONS COMPANHEIROS e CASSINO. E O IRLANDÊS é mais um olhar definitivo e abrangente sobre esse estilo de vida marcado por crimes, violência, mas também a busca por dinheiro fácil e consagração. No caso de Sheeran é uma vida melancólica. Uma vida definida pela passividade e pela constante subserviência aos seus superiores e à falha como pai, como “chefe de família”. Um vazio personificado melhor pelo papel quase simbólico da filha, que envolve pouco mais que uma participação especial de Anna Paquin, mas que não deixa de ser uma performance crucial para o estudo sobre o personagem.

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Há uma infinidade de coisas para analisar e refletir em O IRLÂNDES… Os aspectos históricos por exemplo são curiosos, como a política da época e a corrupção criminal se confundem, ou caminham juntas (invasão da Baía dos Porcos em Cuba, o assassinato de Kennedy, etc…). Mas as questões intimistas me fascinam mais. A ideia de examinar homens violentos que são levados a um apocalipse interno, a melancolia do envelhecimento, a morte, as pessoas descartadas no caminho… Vi o filme duas vezes e até agora não cansei de pensar nessas questões…

Sobre CGI e tecnologias de rejuvenescimento, caguei. Pouco me importa se ficou tosco ou se agora já dá pra fazer um filme com o James Dean… Estava tão imerso na história que não me dei o trabalho de ficar reparando nesses detalhes. Importa pra mim é a aula de cinema de Scorsese, que dirige como o mestre que é, com a sabedoria de quem possui uma carreira repleta de várias obras-primas. Consegue alternar momentos engraçadíssimos com sequências assustadoras e sombrias. Três horas e meia de ritmo e de uma certa energia do diretor. Lento, claro, para quem não está acostumado, mas nunca chato. E sempre se movendo com altos e baixos emocionais como uma montanha russa, à medida em que o glamour e o humor vão gradativamente combinando com a realidade violenta e sombria.

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E são vários os momentos que já nasceram clássicos. Angelo Bruno (Keitel) e Russell repreendendo Sheeran no restaurante; a preparação de Sheeran para matar Joe Gallo; o encontro de Hoffa com Tony Pro na prisão; a festa de homenagem à Sheeran; são dezenas e dezenas de momentos memoráveis. E a última hora… Meu Deus… Só essa última hora de O IRLANDÊS já seria suficiente para uma obra-prima. Mas eu queria destacar mesmo toda a sequência que se inicia com a viagem de Sheeran para “encontrar” Hoffa. Fazer o que tem que fazer. Aquele suspense dramático pra cacete… BANG BANG, dois tiros na cabeça, mais um trabalho rotineiro. E a viagem de volta num silêncio sepulcral arrasador. Momentos dignos de antologia. Das melhores coisas que Scorsese já filmou na vida.

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Aliás, todos os assassinatos de Sheeran são filmados mais ou menos do mesmo modo. Com um certo distanciamento, o enquadramento pegando os atores de corpo inteiro, e o modus operandi de Sheeran geralmente é o mesmo: aproximação objetiva, dois tiros rápidos na cabeça, discreto, e a vítima não tem tempo nem de tirar as mãos do bolso. E Scorsese em nenhum momento faz dessas cenas um espetáculo. E da mesma maneira acontece com Hoffa. Muda o contexto dramático e isso basta para a cena de seu assassinato ser tão poderosa, tão devastadora. Mesmo mostrada de forma tão rápida e direta. Hoffa foi um amigo abstraído para um objetivo. Uma traição transformada em trabalho. Que filme monumental!

Importa também pra mim De Niro, Pacino e Pesci, três gigantes que agora acrescentam outras performances icônicas à história deles. E aquela última hora de filme… Meu Deus… A última hora de filme é de rasgar o coração.

Cahiers du Cinéma: Top 10 filmes da década 2010-2019

Enquanto não finalizo a minha lista dos melhores filmes da década, vou colocar aqui um top 10 dos melhores “filmes” dos últimos dez anos (“filmes” entre aspas mesmo, porque tem séries na relação…) que a famosa revista francesa Cahiers du Cinema publicou esta semana.

OkpEW910. O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA (2010), Manoel de Oliveira

bvf1Tc09. UNDER THE SKIN (2013), Jonathan Glazer

qdttbx08. MELANCHOLIA (2011), Lars Von Trier

captura-2018-10-11-12h04m35s15007. MIA MADRE (2015), Nanni Moretti

2_zps1ytfmrdy06. TONI ERDMANN (2016), Maren Ade

b4187705. LE LIVRE D’IMAGE (2018), Jean-Luc Godard

CBtFIB04. TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS (2010), Apichatpong Weerasethakul

tumblr_nfawo7pRqi1s9q35fo10_128003. P’TIT QUINQUIN (2014), Bruno Dumont

img94_557_5354917402. HOLY MOTORS (2012), Leos Carax

Ortrtmp01. TWIN PEAKS: THE RETURN (2017), David Lynch

O TRAIDOR (Il Traditore, 2019)

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Ok, sei que vai ser impossível não fazer piada com o nome do sujeito, mas vamos tentar… Até porque vou ter que citá-lo várias vezes por aqui. Mas Tommaso Buscetta foi o primeiro pentito, um arrependido da Cosa Nostra, que ajudou a justiça italiana na luta contra a máfia, especialmente contra o império do sanguinário Salvatore Riina. Buscetta, desiludido após a traição de um capo, e enfrentando prisão e risco de vida, trabalha com o juiz Falcone fornecendo informações sobre o funcionamento da Cosa Nostra nos anos 80. E é esse, bem por alto, o mote de O TRAIDOR, novo filme do italiano Marco Bellocchio, um dos grandes mestres do cinema ainda em atividade.

Na longa e interminável história da máfia italiana (da qual as séries GOMORRA e SUBURRA são hoje o eco contemporâneo), a traição de Buscetta e o julgamento que se seguiu por quase dois anos foi um marco. Centenas de mafiosos foram condenados nos anos 80 e 90 por causa do Buscetta… Como todo mundo sabe, Buscetta é bom, mas para alguns é motivo de prisão e morte… er… Ok, já parei.

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Bom, Marco Bellocchio se interessa bastante na jornada do protagonista ao longo desse período, desde sua fuga para o Brasil (quando a gangue de Riina estava começando o derramamento de sangue) até sua prisão (seguida de torturas e tentativa de suicídio) e depois a extradição à Itália com sua decisão de colaborar com o sistema de justiça e ganhar uma nova vida nos Estados Unidos com sua família, cuja esposa era brasileira e em O TRAIDOR é interpretada pela Maria Fernanda Cândido. Chama a atenção o fato de Buscetta nunca se considerar um traidor, mas de ter sido traído, por vários motivos, pela Cosa Nostra, o que dá ao personagem uma complexidade de herói assombrado por certo espírito de justiça, ainda que seja difícil de enxergar quando se trata de alguém que passou a vida como um “soldado” na máfia…

Uma grande parte do filme é dedicada aos julgamentos, aos tribunais que se transformam em um teatro de bufonaria, onde a máfia se coloca como vítimas em confrontos verbais que oscilam entre retaliação, lamento e ridículo. Se não houvesse tantas mortes por trás de todo esse circo poderíamos até rir, mas a triste visão desses assassinos prontos para qualquer coisa (fingir demência, costurar a boca, mostrar o pau) para economizar tempo e tentar se safar demonstra o cinismo e frieza dignos de psicopatas. As travessuras dos gangsters presos lembram bastante algumas cenas de DIAVOLO IN CORPO, que Bellocchio realizou em 1986, e que representava julgamentos de estudantes ativistas. Já comentei sobre esse filme aqui.

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Bem distante da tradição mítica dos filmes de Mafia (como O PODEROSO CHEFÃO), O TRAIDOR parece mais um filme ensaio com inclinações documentais. Bellocchio faz um trabalho denso e didático, que raramente excede seu status de “arquivo”, com direito a nomes, número de mortes, informações e fatos expostos na tela em detrimento de emoções, mas que confere um realismo quase palpável para tratar desse lado sombrio e silencioso da Itália. Mesmo as várias sequências de assassinatos são frequentemente vistas com uma crueza de gelar a espinha. A exceção talvez seja no plano filmado de dentro de um carro que é arremessado pelos ares numa explosão. Desses momentos que prova a maestria de um veterano como Bellocchio. E quando há emoções, é especialmente no rosto maciço de Pierfrancesco Favino, formidável na pele de Buscetta, um retrato ao mesmo tempo frágil e determinado, que é um dentre tantos motivos de fascínio por O TRAIDOR. Sem dúvida mais um pra lista “melhores de 2019”.