9º CINEFANTASY ANUNCIA PROGRAMAÇÃO

Cinefantasy-9-2019

COM 119 FILMES DE 26 PAÍSES, EVENTO ACONTECE DE 03 A 08 DE SETEMBRO EM SÃO PAULO

O CINEFANTASY – Festival Internacional de Cinema Fantástico chega à sua nona edição com um total de 119 filmes, de 26 países. O evento, que acontece de 03 a 08 de setembro no MIS – Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, recebeu 1001 títulos de 58 países e dos cinco continentes durante as inscrições.

A sessão especial de abertura acontece no dia 03/09, às 20h, com a exibição do filme “Morto Não Fala”, inédito na cidade de São Paulo com direção de Dennison Ramalho, e no elenco os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato.

O festival homenageia o diretor e ator José Mojica Marins com a criação do troféu que leva o seu nome, uma replica da sua famosa mão, que será entregue aos vencedores de cada categoria.

A mostra competitiva apresenta 115 filmes, entre longas e curtas, de 26 países, todos inéditos no circuito comercial. Um dos destaques é a criação da mostra Fantástica Diversidade, que recebe filmes com a temática LGBTQ+.

A programação conta ainda com as mostras Mulheres Fantásticas, sessão Espanha Fantástica, Sessões Especiais e Atividades Inclusivas, com workshop stop montion com monstros animados para crianças portadoras de necessidades especiais da AACD e sessões com legendas descritivas.

De acordo com a diretora do festival, Monica Trigo, “A nona edição foi construída com resistência e muita parceria, porque entendemos que o audiovisual é um elemento central para a cultura brasileira: aquece a economia, gera empregos, produz manancial simbólico e o cinema fantástico se apresenta como expansor de sonhos possíveis e impossíveis fazendo o coração saltar apesar dos tempos sombrios”.

O 9º Cinefantasy é realizado por meio do edital do ProaC, da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, Vermelho Filmes e Fly Cow Produções e conta com os apoios do MIS – Museu da Imagem e do Som, CTAv – Centro Técnico Audiovisual, Mistika, Elo Company e Embaixada da Espanha no Brasil.

MOSTRA COMPETITIVA

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“Renascida”

Espinha dorsal do Cinefantasy, a mostra competitiva apresenta o cinema fantástico mundial contemporâneo trazendo filmes de diversos países e diferentes culturas.

Os filmes desta edição exploram o fantástico nas mais diversas formas, dimensões paralelas, antimatéria, espectros, mitos, lendas, detalhes estranhos na rotina do dia a dia e até a criação de novos mundos. Os filmes da mostra competitiva são um convite ao público para imaginar como seria a realidade se fosse alterada.

Dentre os inscritos, foram selecionados 115 títulos, entre 19 longas e 96 curtas-metragens, vindos de 26 países. O Brasil está presente em todas as sessões com um total de 39 filmes e a Espanha é o segundo país com mais filmes em competição com um total de 18 filmes.

A grande diferença desta edição é a quantidade de mulheres diretoras. Foi um aumento de 185% em relação a edição de 2018.

Entre os destaques, a criação da mostra Fantástica Diversidade com curadoria do diretor Hsu Chien. Desde as edições anteriores o Cinefantasy recebe filmes com a temática LGBTQ+, mas este ano o festival dedica uma mostra competitiva exclusiva aos filmes sobre diversidade sexual, com 8 títulos de sete países.

Com um total de 23 categorias de premiação, o Cinefantasy contempla os melhores longas e curtas-metragens de fantasia, horror e ficção científica, além de prêmios técnicos como melhor diretor, roteiro, ator e atriz. Há categorias exclusivas de estimulo aos cineastas brasileiros da mostra Brasil Fantástico para curtas nacionais. O título vencedor receberá como premiação da Mistika o serviço de encode DCP de até 20 minutos e do CTAv o empréstimo de uma câmera blackmagic e acessórios por duas semanas e até 20 horas de mixagem.

A novidade é Prêmio “Aquisição Elo Company” no qual o curta-metragem premiado terá representação comercial no território nacional pelo período de 12 meses em diversas plataformas do audiovisual.

BRASIL NO CINEFANTASY
Os longas nacionais “A Noite Amarela”, do diretor paraibano Ramon Porto Mota, inédito em São Paulo e exibido no Festival Internacional de Roterdã, será exibido no dia 06/09, às 20h. A animação curitibana de Tulio Viaro, “O Bem-Aventurado” estreia no dia 03/09, às 16h. Já o documentário Fakir, da diretora Helena Ignéz, exibido pela primeira vez em uma mostra competitiva, ganha sessão no dia 04/09, às 19h.

Os curtas brasileiros estão presentes em todas as sessões com filmes das cincos regiões do País, exceto a mostra Espanha Fantástica.

ESTRANGEIROS PREMIADOS

O Último Nascer do Sol(Last Sunrise), do diretor chinês We Ren .

“O Último Nascer do Sol”

O longa-metragem de ficção cientifica “O Último Nascer do Sol”(The Last Sunrise) do diretor chinês We Ren desembarca em São Paulo com sete prêmios: melhor filme em festivais como Fantasporto (Portugal), Worldfest Houston e Phoenix Film Festival (EUA). A exibição será no sábado, dia 7 de setembro, às 20h.

Em première nacional, o filme “Você Não Sai Da Minha Cabeça”(You Go ToMy Head),do belga Dimitri de Clercq (que foi produtor do polêmico documentário Leni Riefenstahl, A Deusa Imperfeita, de Ray Müller) será exibido na quinta-feira, dia 5 de setembro, às 20h. A obra, que marca a estreia de Dimitri como diretor, já recebeu mais de 20 indicações e sete prêmios em diversos festivais.

DIRETORES PRESENTES NAS SESSÕES
O 9º Cinefantasy recebe a presença de importantes diretores como o curitibano Tulio Viaro mostra seu processo criativo com diversas técnicas de animação e manipulação de bonecos no longa “O Bem-Aventurado”, no primeiro dia da mostra competitiva de longas-metragens, 03 de setembro às 16h.

O diretor mexicano Carlos Preciado, que já morou em São Paulo e estudou na New York Film Academy, apresenta a obra “Obscuro Despertar”, filme em première mundial com a atriz Daniela Ortiz, no dia 03 de setembro às 19h.

Alon Newman, diretor do filme israelense “A Compositora” (The Composer), apresenta seu filme no dia 04 de setembro às 20h. O diretor do premiado curta-metragem Antivirus apresenta seu mais recente longa-metragem em première latino-americana.

Você Não Sai da Minha Cabeça, de Dimitri De Clercq

“Você Não Sai Da Minha Cabeça”

O belga Dimitri de Clercq (que foi produtor do polêmico documentário Leni Riefenstahl, A Deusa Imperfeita, de Ray Müller) apresenta em première brasileira a sessão de “Você Não Sai Da Minha Cabeça” (You Go ToMy Head), seu primeiro longa-metragem filmado no Marrocos. A sessão acontece no dia 5 de setembro, às 20h.

O diretor Mark Doneo, que nasceu na Austrália, filho de Malteses, ator de dezenas de musicais e de séries de TV em Malta, vem ao Brasil para apresentar “As Lágrimas da Casa de Qala”(The Weeping House of Qala), seu segundo longa-metragem, que será exibido em première nacional no dia 06 de setembro à 18h.

Já o diretor brasileiro Ramon Porto Mota apresenta seu horror existencial e os conflitos dos adolescentes no mundo atual com a exibição do longa paraibano “A Noite Amarela”, dia 06 de setembro à 20h, no MIS.

FANTÁSTICA DIVERSIDADE

A Trava das Trevas (Fantástica Diversidade)

“A Trava das Trevas”

Com curadoria do diretor Hsu Chien, a mostra Fantástica Diversidade que tem a temática LGBTQ+, acontece no dia 06 de novembro, às 19h, com exibição de oito curtas-metragens de países como Hong Kong, Espanha, Argentina, México, EUA, Itália e Brasil. A mostra apresenta a necessidade de ampliar o caminho para uma sociedade mais justa e igualitárias em direitos.

MULHERES NO CINEMA FANTÁSTICO

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“Desilusion”

A diretora do festival, Monica Trigo assina a curadoria da mostra Mulheres
Fantásticas que apresenta um aumento da presença das mulheres como
realizadoras e chama a atenção na programação do 9º Cinefantasy. São 11
títulos da mostra competitiva em que as mulheres estão na direção. Foi um
aumento de 185% em relação a edição de 2018.

O CINEMA FANTÁSTICO ESPANHOL
Já não é de hoje que a Espanha se destaca como o país da nova era do cinema fantástico e dessa forma não é novidade que o país foi o segundo com maior número de inscritos na 9ª edição do Cinefantasy. Foram 18 selecionados para as mostras competitivas de curtas-metragens, com destaque para a sessão Espanha Fantástica, que traz o que há de melhor no cenário atual do gênero do país.

SESSÕES ESPECIAIS
O Cinefantasy homenageia o ator Sérgio Mamberti com a exibição especial do filme “Castelo Rá-Tim-Bum”, de Cao Hamburger, que completa 20 anos, no dia 07 de setembro às 11h.

O clássico “A Bruxa de Blair”(The Blair Witch Project), que também celebra seus 20 anos em 2019, ganha sessão especial no dia 08 de setembro, às 17h.

Já o premiado longa de animação brasileira “Tito e os Pássaros”, único brasileiro pré-indicado ao Oscar 2019 na categoria melhor animação, será exibido no dia 08 de setembro, domingo às 15h com uma cópia com legenda descritiva e presença dos diretores Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg.

ABERTURA E ENCERRAMENTO

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“Morto Não Fala”

O Cinefantasy abre no dia 03 de setembro, às 20h com a sessão especial de “Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho filme inédito na cidade de São Paulo com os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato. Primeira obra do elogiado diretor dos curtas “Amor Só de Mãe” e “Ninjas”, o longa estreia nos cinemas a partir de 19 de setembro.

A cerimonia de encerramento acontece no dia 08 de setembro, às 19h com a homenagem ao ator Sérgio Mamberti e aos diretores Eduardo Sanchez e Dan Myrick pelos 20 anos do filme “A Bruxa de Blair” com surpresas na sessão.

Também serão divulgados os vencedores da nona edição com entrega do troféu José Mojica Marins.

CURADORIA
O diferencial desta edição é a partilhamento da curadoria que recebeu um grande número de inscritos, num total de 1001 filmes em 11 categorias. O curador geral Eduardo Santana convidou 8 profissionais do audiovisual para compor a equipe. São eles: Beatriz Saldanha, Carlos Primati, Hsu Chien, Ivo Costa, Lucia Caus, Marcelo Carrard, Monica Trigo e Vebis Junior. O 9º Cinefantasy tem um olhar plural como as mostras que oferece.

JURI
Um time composto por gestores públicos, cineastas, pesquisadores, professores, programadores, atores, cinéfilos e escritores, constituem um juri de 35 profissionais, divididos em 11 mostras competitivas. São eles: Alê McHaddo, Alfredo Suppia, Ana Paula Nogueira, André Diniz, André Sturm, André Vianco, Camila Borca, Celio Franceschet, Celso Duvecchi, Cristina Amaral, Daniela Pfeiffer, Dilvania Santana, Donny Correia, Eleonora Rosset, Flávio Campello, Francisco Gaspar, Glauber Piva, Heber Trigueiro, Hugo Gurgel, Hsu Chien, Isabel Wittmann, Katia Coelho, Laura Canepa, Leandro Caraça, Letícia Santinon, Marcio Rosário, Malu Andrade, Marcelo Carrard, Marciel Consani, Pablo Ferreira, Pedro Venceslau, Raul Christiano, Simone Yunes, Valdir Rivaben e Victor-Hugo Borges.

ATIVIDADES INCLUSIVAS
O Cinefantasy oferece um workshop stop motion com monstros animados, para crianças portadoras de necessidades especiais da AACD. O evento acontece no dia 22/08, às 14h, na Rua dos Açores, 310. As crianças produzirão um filme de no máximo 1 minuto, que será exibido no dia do encerramento do festival (08/09, no Museu da Imagem e do Som).

O festival brinda o público das sessões dos filmes de animação “O Bem-Aventurado” de Tulio Viaro e “Tito e os Pássaros”de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto com legendas descritivas.

SERVIÇO
9º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico
Quando: 03 a 08 de setembro
Local de Exibição: Museu da Imagem e do Som (MIS-SP)
Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Entrada Gratuita – Retirada dos ingressos com 1 hora de antecedência.
Site oficial: http://www.cinefantasy.com.br/

Sessão de Abertura: Dia 03/09, terça, às 20h com a exibição de“Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho filme inédito na cidade de São Paulo com os atores Daniel Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato..

Cerimonia de Encerramento: Dia 08/09, domingo, às 19h com a homenagem ao ator Sérgio Mamberti e aos diretores Eduardo Sanchez e Dan Myrick pelos 20 anos do filme “A Bruxa de Blair” + exibição do curta produzido pelos alunos da AACD + entrega do troféu José Mojica Marins aos vencedores de cada categoria.

Atendimento à Imprensa:
ATTi Comunicação e Ideias – Eliz Ferreira e Valéria Blanco
(11) 3729.1456 / 3729.1455 / 9 9105.0441

Hammer Time: AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula, 1960)

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O sucesso das primeiras incursões da Hammer Film no terror gótico, nas releituras dos clássicos monstros como Frankenstein, Drácula, a Múmia e Lobisomem, fez com que as suas continuações fossem, obviamente, inevitáveis. No caso da sequência de O VAMPIRO DA NOITE (que comentei por aqui há alguns anos), primeiro exemplar da Hammer sobre o famigerado personagem Conde Drácula, a produtora se deparou com um pequeno problema: a ausência de seu astro, Christopher Lee. Existem relatos variados sobre o motivo pelo qual Lee não quis reprisar seu icônico papel (o principal seria para não ficar marcado pelo personagem, o que acabou acontecendo de qualquer maneira, já que o sujeito voltou a encarnar o vampirão diversas vezes nas duas décadas seguintes), mas seja lá qual for a verdadeira razão, a Hammer teve que se virar e encontrar um novo vampiro.

Encontraram David Peel, que não chega nem no calcanhar de Christopher Lee, mas faz um bom vilão vampírico. Felizmente, eles ainda tinham também o diretor Terence Fisher, bons roteiristas, como Jimmy Sangster, o ator Peter Cushing e praticamente a mesma equipe técnica que realizou O VAMPIRO DA NOITE. O resultado foi AS NOIVAS DO VAMPIRO, que se não possui a mesma força que o anterior, não deixa de ser também um filme de vampiro agradável, que possui todos os mesmos elementos visuais que adoramos nos filmes da Hammer.

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No final do século XIX, uma jovem professora, Marianne (Yvonne Monlaur), está à caminho para ocupar uma posição numa academia de jovens moças na Transilvânia. Meio perdida durante o trajeto, uma mulher mais velha, a baronesa Meinster (Martita Hunt), oferece à moça estadia em seu castelo. Os aldeões parecem aterrorizados com a baronesa, mas Marianne, que é uma jovem inocente, fica feliz em aceitar sua oferta. Ela logo descobre que a baronesa não mora sozinha. Em outra ala do castelo ela vê um jovem jeitoso, filho da baronesa, mas que se encontra acorrentado. Diante dessa situação, o rapaz a convence de libertá-lo.

E é claro que o jovem barão Meinster (Peel) é um vampiro. Apesar do título original aparecer o nome “Drácula”, isso nunca é mencionado no filme. O que leva o título nacional a ter uma maior coerência, mas de fato temos aqui as noivas vampiras. Marianne parece destinada a se juntar a elas, mas felizmente o Dr. Van Helsing (Cushing) está passando pela aldeia fazendo algumas pesquisas sobre vampirismo e novamente terá que entrar em ação.

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Aliás, ação é o que não falta por aqui. AS NOIVAS DO VAMPIRO é bem mais agitado que o seu antecessor. O roteiro aparentemente passou por várias reescritas e nota-se uma certa bagunça na história e na quantidade de personagens. Como resultado, certas sub-tramas foram deixadas penduradas enquanto a trama principal é cheia de buracos. O diretor Terence Fisher, mestre do gênero, ignora sabiamente esses detalhes e se concentra na atmosfera, no visual e em manter a ação em movimento, consciente de que o filme tem força suficiente para compensar suas fraquezas.

No elenco, vale destacar Peel (como já disse, consegue fazer um bom vilão se não for comparado a Lee) e Cushing, que está em boa forma, como na maioria das vezes nessas produções da Hammer. Yvonne Monlaur faz pouco além de parecer assustada e inocente, mas Martita Hunt está bem expressiva como baronesa, que se revela mais vítima do que vilã. Freda Jackson dá uma exagerada como a velha enfermeira do jovem barão, mas funciona. E Miles Malleson oferece um bom alívio cômico como um médico de moral duvidosa.

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Os cenários estão entre os melhores das produções de horror gótico do Hammer. O Castelo Meinster é particularmente impressionante. Bernard Robinson foi responsável pelo design de produção e é um dos seus melhores trabalhos. A maravilhosa fotografia em cores Technicolor de Jack Asher é outro grande trunfo.

Sem qualquer desrespeito a Christopher Lee, de certa forma dá para refletir em como AS NOIVAS DO VAMPIRO se beneficia de sua ausência, uma vez que libera os roteiristas dos grilhões da história de Drácula e permite que eles se desviem em uma direção diferente. É óbvio que um monumento como Christopher Lee faz falta, mas o esforço de fazer algo original e fora dos padrões é o que torna AS NOIVAS DO VAMPIRO num dos melhores exemplares do gênero produzidos pela Hammer.

MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (1980)

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O planeta Akir é habitado por indivíduos que renunciaram à guerra e à violência e estão prestes a descobrir o que acontece quando pacifistas são ameaçados por alguém que não renunciou à guerra e à violência… O malvadão do espaço sideral, Sador (John Saxon), e seu exército de mutantes, ameaça os pobres cidadãos do planeta à destruição caso não se curvem diante dele. Como não sabem se defender, decidem enviar o jovem Shad (Richard Thomas) na missão de encontrar e contratar mercenários espaciais que estejam dispostos a lutar pelo pequeno planeta Akir (cujo nome não é nenhuma coincidência, como veremos a seguir).

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Sim, MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (Battle Beyond the Stars), produzido pelo grande Roger Corman, poderia ser definido como uma mistura entre OS SETE SAMURAIS, de Akira Kurosawa, e STAR WARS, num período em que fervilhava produções aproveitando do sucesso da clássica space opera de George Lucas. Se você já viu algum desses filmes (ou o remake do filme japonês, SETE HOMENS E UM DESTINO), o enredo não trará surpresa alguma. Mas a falta de originalidade da trama não é necessariamente um problema. A maneira como os realizadores brincam com essa mistura toda é o que acaba importando. São as sequências de ação, batalhas espaciais explosivas e muito tiro de raio laser, a variedade de personagens exóticos, maquiagens e efeitos especiais graciosos que esse tipo de produção classe B proporcionava…

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As filmagens não foram das melhores, apesar do orçamento ter sido dos mais abastados para os padrões de Corman (dois milhões de dólares). Atrasos na construção dos cenários e um mau tempo que fez o estúdio trabalhar com água até os tornozelos na maior parte do tempo não ajudava muito. O então futuro diretor James Cameron começou trabalhando aqui como um humilde modelador, mas pouco antes das filmagens começarem fizeram a preocupante descoberta de que o diretor de arte não tinha a menor ideia do que estava fazendo. E Cameron de repente se viu promovido à função. Mandou bem. O visual dos cenários e as miniaturas de naves e outros elementos estéticos são ótimos.

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O jovem James Cameron trabalhando em MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS

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Quem escreveu o roteiro foi outro futuro cineasta, o independente John Sayles, que dá um bom trato nos diálogos e na construção dos personagens, percebendo a importância de acentuar as diferenças entre os vários mercenários que pintam por aqui, com suas peculiaridades e culturas. Por mais bobinha que seja essa aventura, é esse tipo de detalhe que ajuda a tornar MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS um exemplar tão interessante e divertido.

No elenco, Richard Thomas tenta fugir de seu personagem mais famoso, John-Boy Walton, da série de TV THE WALTONS. Até que se sai bem, faz o jovem ingênuo, mas aventureiro que se arrisca em desbravar o universo em busca de salvar seu planeta. São curiosos os momentos em que precisar lidar com a dualidade da sua essência pacífica em contraste à necessidade de lutar e eventualmente tirar a vida de seus inimigos.

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Dos vários atores que retratam os mercenários, temos a presença de algumas figuras interessantes. Robert Vaughn, que estava em SETE HOMENS E UM DESTINO, faz um fascinante personagem trágico e atormentado. É praticamente o mesmo papel que fez no western de John Sturges. George Peppard, por outro lado, parece se divertir com o seu cowboy espacial. E Sybil Danning acrescenta um toque erótico ao filme, fazendo uma guerreira amazonas de outra galáxia com generosos decotes. Obviamente, vale destacar o desempenho de John Saxon como o tirano vilão imponente e cruel.

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A ação de MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS é um bom exemplo da abordagem de Roger Corman na produção, baseada em criatividade e imaginação – fazendo um pequeno orçamento durar mais do aparenta (até porque grande parte do dinheiro era para pagar os salários de Vaugh e Peppard) – e coube ao diretor Jimmy T. Murakami comandar sequências que não ficam nada a dever aos filmes B de batalhas espaciais do período. 

No fim das contas, temos aqui uma ópera espacial completamente agradável, um dos melhores dos muitos clones de STAR WARS.