A ESPADA E OS BÁRBAROS (1982)

A década de 1980 deixou um vasto acervo de filmes do gênero Sword and Sorcerer, estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que marcaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo público jovem de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANEIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais “trash”, como DEATHSTALKERA ESPADA E OS BÁRBAROS é um belo exemplar desse ciclo oitentista, que acabou nomeando o gênero com seu título original, THE SWORD AND THE SORCERER.

Mas infelizmente, e até curioso isso, A ESPADA E OS BÁRBAROS também acabou no ostracismo. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura com boas doses de violência, bastante humor, mulheres nuas e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN – O BÁRBARO, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor havaiano Albert Pyun, um dos favoritos da casa.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Havia cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor, então com 26 anos, colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado por Takao Saito, diretor de fotografia de vários filmes do mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que seu aprendizado foram-lhes passado por um Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de A ESPADA E OS BÁRBAROS, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B sem grandes pretensões.

A trama é basicamente um conto de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível, mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A história continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino em que vivia, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração de uma princesa.

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo quando envolvido na maior das porcarias de baixo orçamento e que só aceitou fazer para pagar as contas atrasadas, o que acaba valendo a pena pela sua presença marcante nas fitas que participa. Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito Errol Flynn: demasiado canastrão que sabe se impor em cena, especialmente quando está em movimento em sequências de ação. Inclusive a semelhança física entre os dois reforça esse devaneio meu…

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os cenários, efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita Xusia, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora de David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito, não há dúvidas. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme de aventura do estilo “Sword and Sorcerer“.

Uma pena que vários de seus trabalhos seguintes não tiveram o mesmo sucesso. Atualmente estamos aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de A ESPADA E OS BÁRBAROS, que estava nos planos dos produtores desde aquela época.

14 pensamentos sobre “A ESPADA E OS BÁRBAROS (1982)

  1. O Blog realmente ficou bem diferente!
    Achava o preto mais adequado ao estilo de seu blog. De qualquer forma nao está ruim!

    Nao posso dizer o mesmo desse filme que deve ser ruim demais! Tao ruim ao ponto de ser bom de assistir!!!

  2. Adoro filmes nesse estilo por mais que eu não os veja com tanta frequencia. Krull é mto foda!

    Tenho meio da mesma linha do Fulci, Conquest.
    Quem já viu esse ae?? Presta?

  3. Fabio, o SdA não chega nem aos pés do que era feito na quela época, hehe, minha opinião, lógico, e sou daqueles que respeitam a opinião dos outros. E pra deixar claro, não acho os dois primeiros SdA tão ruins assim…

    Felipe, o filme tem pouca violência, mas tem! 🙂

    E eu sou fã de Deathstalker… mas só assisti ao primeiro! Preciso ver o restante. Fiquei curioso pra ler suas resenhas sobre os filmes.

    Grande abraço a todos!

  4. Esse filme saiu no Brasil, na saudosa era do VHS, com o título A ESPADA E OS BÁRBAROS (porque todos sabemos que “sorcerer” quer dizer bárbaro, certo?). Eu na verdade nunca consegui ver até o final, porque acho que o filme tem pouca violência em comparação a outras cópias de Conan do mesmo período.

    Minha paixão é mesmo pela série DEATHSTALKER! Em breve quero escrever sobre os quatro filmes no FILMES PARA DOIDOS. É meu guilty pleasure de coração, ao lado de Keruak e Os Caçadores de Atlântida.

  5. > A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo…

    That's my buddy!!

  6. Discordo completamente sobre serem superiores à viadagem do Frodo, mas não consegui deixar de rir.

    Aliás, a lembrança a Krull e Excalibur é oportunda. Daria para lembrar também O Dragão e o Feiticeiro, de 81, o filme Disney com menos cara de filme Disney até estrear Pulp Fiction em 93.

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